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Pesquisadores do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict) estiveram presentes entre os representantes brasileiros da Consulta Regional da UNESCO sobre Ciência Aberta para a América Latina e Caribe, no dia 23 de setembro. O evento foi coorganizado pelo Escritório Regional de Ciências da UNESCO para América Latina e Caribe e pelo Fórum de Ciência Aberta para América Latina e Caribe.

Representaram o Ibict a coordenadora geral de Pesquisa e Manutenção de Produtos Consolidados do Ibict e presidente da Rede Federada Latino-Americana de Repositórios Institucionais de Documentação Científica (LA Referencia), Bianca Amaro, a professora Sarita Albagli, do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação (convênio Ibict/UFRJ), e Washington Segundo, coordenador do Laboratório de Metodologias de Tratamento e Disseminação da Informação do Instituto.

O encontro online fez parte de uma série de consultas regionais que visam criar um consenso global sobre ciência aberta. O objetivo do evento foi proporcionar uma plataforma para a troca de contribuições entre cientistas, fundos de financiamento da ciência, formuladores de políticas, inovadores, editores, organizações da sociedade civil e outras partes interessadas nas recomendações da UNESCO sobre ciência aberta.

Durante o evento, os participantes compartilharam lições e experiências na formulação e implementação de estratégias, políticas e outras iniciativas de ciência aberta, a partir dos principais desafios e as infraestruturas necessárias para avançar no assunto, incluindo sugestões de como superar os desafios, bem como a identificação de áreas comuns de colaboração e a formação de uma rede internacional para promover a ciência aberta globalmente.

O evento foi moderado por Lidia Brito, diretora do Escritório Regional de Ciências da UNESCO para América Latina e Caribe, e contou com a participação especial de Shamila Nair-Bedouelle, diretora geral assistente do setor de Ciências Naturais da UNESCO.

A defesa da Ciência Aberta no Brasil: Entre as instituições representadas no evento, os pesquisadores do Ibict alertaram para a importância da Ciência Aberta para o Brasil e o mundo. Nos painéis sobre acesso aberto e dados abertos, Bianca Amaro apresentou as ações da La Referencia e ressaltou que é fundamental que seja realizado um trabalho junto aos órgãos de avaliação dos pesquisadores, tanto de valorização da Ciência Aberta quanto de diálogo com os pesquisadores em relação aos dados produzidos nas pesquisas. Para Bianca Amaro, é importante que as regras da ciência passem por uma grande mudança, de modo que a Ciência Aberta seja uma realidade em todo o mundo. Na apresentação, Bianca Amaro também contextualizou algumas das ações de repositórios científicos no Brasil.

Também sobre o assunto, Washington Segundo explicou sobre a infraestrutura para repositórios de dados de pesquisa. Entre os repositórios de pesquisa disponíveis na América Latina, Washington Segundo apresentou brevemente aos participantes o Portal Brasileiro de Publicações Científicas em Acesso Aberto (oasisbr), formado por uma rede de mais de 500 instituições, as quais agregam mais de 1250 fontes e aproximadamente 2,6 milhões de documentos, reunindo repositórios institucionais, bibliotecas locais de teses e dissertações e revistas eletrônicas de acesso aberto. Atualmente, o Portal Brasileiro de Publicações Científicas em Acesso Aberto já está disponibilizando dados de pesquisa agregados (veja aqui).

A professora Sarita Albagli representou o Ibict no painel sobre ciência e cidadania. Ao longo da apresentação, Sarita Albagli discutiu sobre Ciência Aberta e Ciência Cidadã e assuntos relacionados, como o crescente papel dos meios de informação e comunicação, a democracia e o direito à pesquisa, a noção de abertura e participação cidadã, a produção de dados e os grupos socialmente vulneráveis, a ciência cidadã frente ao desenvolvimento sustentável, as relações desiguais poder e os regimes de controle e vigilância sobre os dados de pesquisa.

O evento está disponível integralmente pelo Youtube da Unesco em inglês ou espanhol.

 

Patrícia Osandón
Núcleo de Comunicação Social do Ibict

Publicado em Notícias

A partir do tema “Pandemia de controvérsias e validação da informação”, a última QuartaàsQuatro (23) reuniu os pesquisadores Clóvis Lima, do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict), Nancy Tarragó, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Mariangela Maia, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Luciana Gracioso, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

A QuartaàsQuatro é uma live promovida pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI). O evento foi mediado pelo médico e pesquisador Clóvis Lima, que debateu sobre as controvérsias informacionais e também a respeito da validação informacional nesse contexto. Para o pesquisador, o isolamento social impactou a sociedade de forma desigual, devido às condições sociais, culturais e econômicas da população e à vulnerabilidade de determinados grupos sociais.

As professoras convidadas Luciana Gracioso, Mariangela Maia e Nancy Tarragó alertaram ao longo da live para questões envolvendo as fake news e os perigos da desinformação, a importância da disseminação de boas práticas de pesquisa e a validação e o contexto de produção das informações. Outro aspecto ressaltado foi a produção midiática no contexto da pandemia e as relações e tensões entre os meios de regulação social.

Parte da discussão desenvolvida ao longo da live também está presente no artigo "Emergência de saúde pública global por pandemia de Covid-19: desinformação, assimetria de informações e validação discursiva", publicado na Folha de Rosto - Revista de Biblioteconomia e Ciência da Informação (v. 6, n. 2, 2020), que pode ser lido clicando aqui.

A live está disponível em versão integral no canal do Ibict no Youtube (veja abaixo).

 

 

Patrícia Osandón
Núcleo de Comunicação Social do Ibict

Publicado em Notícias

O portal 50 anos do PPGCI, o Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação - desenvolvido em parceria entre o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), dedica uma área especial às “Mulheres da Ciência da Informação”.

Na área "Mulheres da Ciência da Informação" do portal, o usuário é convidado a mergulhar na história da Ciência da Informação, que foi marcada pela atuação de mulheres pesquisadoras ao longo de tantos anos de história. “A proposta vem da potência da produção teórica e aplicada das mulheres na construção do campo informacional no Brasil, e do Brasil para o mundo. Não há dúvidas em nossa historiografia que é o perfil feminino a força central que moveu a história da Ciência da Informação”, explica o professor Gustavo Saldanha, coordenador do PPGCI/Ibict/UFRJ.

Gustavo Saldanha acrescenta que “é a partir do papel das mulheres, do seu pensamento e da sua impressionante dedicação à causa informacional no país que o campo adquire a configuração que hoje nós conhecemos e sobre a qual produzimos nossas pesquisas. Por isso, contar a história e a teoria da informação no Brasil e abordar o papel das políticas de informação e das práticas revolucionárias de organização da informação é apontar para a mudança trazida por mulheres como Celia Zaher, Janice Monte-Mór, Hagar Espanha Gomes e Lydia Sambaquy”.

Como explica o professor, na área "Mulheres da Ciência da Informação" do portal é possível encontrar por exemplo, a história de Lydia de Queiroz Sambaquy (1913-2006), considerada um ícone da Biblioteconomia brasileira. Lydia Sambaquy foi presidente do antigo Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação (IBBD), hoje Ibict, durante onze anos, além de vice-presidente eleita da Federação Internacional de Documentação entre 1959 e 1962.

No portal são detalhadas as histórias de cerca de 20 mulheres na Ciência da Informação na versão escrita, além de entrevistas em vídeo, como a realizada com a professora Célia Zaher, no escopo da pesquisa “Memórias Científicas: História Oral da C.I.”, disponível aqui.

A estrutura do Portal 50 anos do PPGCI/Ibict/UFRJ: Várias áreas compõem o portal. Na "Linha do Tempo", o visitante pode conhecer um amplo histórico a partir da relação do PPGCI com a Ciência da Informação. Outra área de destaque é o "Canal 50", que contém a história do PPGCI contada a partir de depoimentos apresentados em vídeos produzidos pelo programa, seus pesquisadores e grupos de pesquisa.

As produções divulgadas também podem ser acessadas pelo Youtube de especialistas em Ciência da Informação e de outras instituições do Brasil e do mundo. Já em “Teses e Dissertações”, o visitante do portal pode conhecer a produção acadêmica do PPGCI/Ibict/UFRJ.

Além disso, o portal agrega e dissemina informações sobre momentos e personalidades que marcaram a história do PPGCI/Ibict/UFRJ, bem como indica os caminhos que o Programa deverá seguir nos próximos anos. Vários pesquisadores atuaram na construção do portal, a partir da colaboração entre as equipes da Coordenação de Ensino e Pesquisa, Ciência e Tecnologia da Informação (COEPE) e da Coordenação Geral de Tecnologias de Informação e Informática (CGTI) do Ibict.

Para conhecer o portal, acesse: http://50.ppgci.ibict.br.


Patrícia Osandón
Núcleo de Comunicação Social do Ibict

Publicado em Notícias

A próxima QuartaàsQuatro, live promovida pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict), unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), debaterá o tema “Pandemia de controvérsias e validação da informação”. O evento será realizado no dia 23 de setembro no canal do Ibict no Youtube.

Participarão do evento os pesquisadores Clovis Lima, do Ibict, Nancy Tarragó, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Mariangela Maia, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Luciana Gracioso, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Entre os assuntos discutidos dentro do tema principal da live, estão questões envolvendo o isolamento, as vacinas, o uso de medicamentos, as fontes de informação, e o discurso e a validação da informação.

Confira o currículo dos participantes:

Clovis Lima
Graduado em Medicina pela Universidade Federal de Santa Catarina. Mestre e doutor em Ciência da Informação pelo Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação (convênio Ibict/UFRJ). Mestre e doutor em Administração pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo. Pesquisador titular do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia. Editor das revistas Logeion – filosofia da informação e P2P&Inovação.

Nancy Sánchez Tarragó
Graduada e mestre em Biblioteconomia e Ciência da Informação pela Universidade de Havana, Cuba. Doutora em Documentação e Informação Científica pela Universidade de Granada, Espanha. Professora do departamento de Ciência da Informação e do Programa de Pós-graduação em Gestão da Informação e do Conhecimento da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Editora da Revista Cubana de Información en Ciencias de la Salud.

Mariangela Rebelo Maia
Cirurgiã-dentista. Mestre em Saúde Coletiva e doutora em Ciência da Informação. Professora substituta no Departamento de Odontologia Social e Preventiva da UFRJ. Editora assistente das revistas Logeion e P&P Inovação.

Luciana Gracioso
Bibliotecária e Professora. Doutora em Ciência da Informação pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia e Universidade Federal Fluminense (2008). Professora Associada ao Departamento de Ciência da Informação da Universidade Federal de São Carlos. Chefe do Departamento de Ciência da Informação da mesma universidade. Atua como docente permanente no Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação (PPGCI) e no Programa de Pós-Graduação em Ciência, Tecnologia e Sociedade (PPGCTS) da UFSCar.

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Clique aqui para definir o lembrete da live (redirecionamento para o canal do Ibict no Youtube).

 

Patrícia Osandón
Núcleo de Comunicação Social do Ibict

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Entre as professoras mais referenciadas e queridas quando o assunto é a história do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação (PPGCI), desenvolvido por meio de convênio entre a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict), está Lena Vania Ribeiro Pinheiro.

Lena Vania Pinheiro é doutora em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ - 1997), mestre em Ciência da Informação pelo PPGCI/Ibict/UFRJ (1982), especialista em Redes de Bibliotecas pela Universidade de São Paulo (USP - 1972) e bacharel em Biblioteconomia pela Universidade Federal do Pará (UFPA - 1966), onde também iniciou sua vida acadêmica como professora de História da Arte do Departamento de Letras e Artes.

Atualmente, já aposentada, continua exercendo atividades de pesquisa e ensino no Ibict, como professora permanente do PPGCI/Ibict/UFRJ, em uma história que já dura mais de 30 anos.

Ao longo da carreira, Lena Vania Pinheiro publicou livros e capítulos de livros e artigos de periódicos, bem como comunicações em congressos, no Brasil e no exterior, ultrapassando uma centena de orientações de mestres e doutores, sobretudo no Ibict, e em outras instituições e universidades, em Ciência da Informação e áreas interdisciplinares. De 2006 a 2013 foi coordenadora do portal de divulgação científica do Ibict, o Canal Ciência, quando participou de oficinas e palestras para alunos e professores.

Em entrevista para o site do Ibict, Lena Vania Pinheiro detalha toda essa história.

Confira!

Ibict: Qual a história da senhora com o PPGCI/Ibict/UFRJ? Como começou?

Lena Vania Pinheiro: Sou uma paraense formada em biblioteconomia. O fundador do curso de biblioteconomia do Pará foi o médico Clodoaldo Beckmann, um grande cirurgião que era encantado com a informação. Ele foi aluno do curso de especialização do então IBBD [Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação], o conhecido Curso de Documentação Científica [CDC], e contribuiu muito para a formação dos estudantes de biblioteconomia e eu estava entre eles. Clodoaldo Beckman levou para a nossa graduação conhecimentos de Documentação aprendidos no IBBD, grande documentalista que era. Depois, como eu tinha cursado História da Arte na faculdade e me identificado com a disciplina, fiz um concurso para professora de História da Arte no Pará e fui aprovada. Eu ministrava aula de História da Arte quando decidi fazer um mestrado na USP em História da Arte, no ano 1977. Levei meu projeto de pesquisa pronto, sobre Arquitetura religiosa no interior do Pará, mas, quando cheguei à USP para a seleção, não tinha nenhum professor orientador de História da Arte naquele ano. Decidi então tentar uma vaga na Antropologia da Arte e o meu projeto não foi aceito, muito naturalmente porque não era dessa área. Nesse período, estava aberta também a seleção para o mestrado em Ciência da informação e foi então que cursei o mestrado na área.

Ibict: Há quanto tempo a senhora está no PPGCI atuando como professora?

Lena Vania Pinheiro: Depois do mestrado, dei continuidade à minha história no Ibict, quando fui contratada para atuar como tecnologista, em Brasília.  Em 1985, solicitei a mudança para trabalhar no Ibict do Rio de Janeiro na área de ensino e pesquisa, quando eu voltei a atuar na docência do CDC. Era um curso de grande destaque na época, além do mestrado em Ciência da Informação porque, naquela fase, por falta de doutores na área, mestres podiam ministrar aulas e até orientar, se devidamente autorizados pela UFRJ. Realizei o doutorado algum tempo depois, em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e lá me titulei no ano 1997.

Ibict: Poderia contar sobre alguns dos desafios enfrentados pelo PPGCI ao longo desses 50 anos?

Lena Vania Pinheiro: O PPGCI enfrentou muitos desafios ao longo da sua trajetória. Entre estes, na época em que Brasília foi criada e muitos órgãos foram transferidos do Rio de Janeiro. O Ibict foi então dividido nas áreas de ensino e pesquisa, no Rio de Janeiro, e serviços e produtos, que foi transferida para Brasília.  Ao longo dos anos, essa situação tornou-se difícil. Posteriormente, foi criado um departamento de ensino e pesquisa que hoje é a Coordenação de Ensino e Pesquisa, Ciência e Tecnologia da Informação [COEPE]. Antes não existia o processo de Comitê de Busca com mandato de diretoria estabelecido e tivemos períodos de instabilidade com diretores interinos, momentos nos quais o PPGCI enfrentou algumas dificuldades para se manter. Sobretudo em função do famoso Relatório Tundisi, que recomendava que institutos de pesquisa não deveriam oferecer pós-graduação, somente as universidades. Hoje nós vivemos uma situação completamente diferente. Desde o mandato do professor Emir Suaiden, e agora sob a gestão da professora Cecília Leite, conseguimos nos consolidar e nos fortalecer.  

Ibict: Como é a experiência de ter sido orientanda e posteriormente orientadora no PPGCI? Qual a importância dessa troca para alunos e professores?

Lena Vania Pinheiro: É uma relação fundamental. Há muita troca de experiências entre orientandos e orientadores. Sempre digo que os alunos da graduação são uma fonte de juventude para gente. Na graduação, os alunos são muito criativos e livres para se manifestar, algo que é um aprendizado não apenas para o professor, mas também para nós como seres humanos.  Na pós-graduação, há um aprofundamento e essa troca mais profunda aumenta os nossos conhecimentos, sem deixar a criatividade de lado, é claro. O aluno vem sempre com muitas ideias. 

Com muitos alunos, nós professores estabelecemos amizades para o resto das nossas vidas. É interessante porque, muitas vezes, nós temos orientandos de várias idades, inclusive das nossas idades.  Outro aspecto positivo acontece quando nós vemos o estabelecimento de amizades e parcerias acadêmicas entre os nossos alunos. Eu, por exemplo, sou amiga da minha ex-orientadora [Gilda Braga] há quase 40 anos. É muito interessante poder unir o aspecto acadêmico e científico ao afetivo. É fundamental que exista afeto e amizade na caminhada entre orientador e orientando. Fazer pesquisa é uma trajetória árdua e difícil, daí ser importante que nessa caminhada exista afeto, até para superar os momentos mais tensos.

Ibict: Ao longo da carreira, a senhora enfrentou desafios por ser uma mulher cientista e docente?

Lena Vania Pinheiro: Nunca percebi problemas na minha trajetória como docente e pesquisadora por ser mulher. O que eu percebo é uma dificuldade entre áreas porque a Ciência da informação é uma área muito jovem. Cientificamente falando e no Brasil, é uma ciência com 50 anos em média. Não é possível comparar a história da Ciência da Informação, por exemplo, com a física ou a medicina. Então eu percebi algumas vezes um olhar diferente para as áreas que estão em vias de construção e consolidação. Esses desafios ocorreram muito nas buscas por financiamento entre as pesquisas em Ciência da Informação e outras áreas.

Ibict: Qual a importância das mulheres para a história da Ciência da Informação no Brasil?

Lena Vania Pinheiro: Eu diria que é fundamental, inclusive porque a Ciência da Informação no Brasil foi uma ciência fundada por mulheres. Na própria história do Ibict, há predominância de diretoras mulheres, desde a Lydia de Queiroz Sambaquy, Celia Zaher, Hagar Espanha Gomes, passando por Yone Chastinet, até chegar à atual diretora, Cecília Leite.  Hoje em dia, eu diria que a Ciência da Informação conta com pesquisadores homens e mulheres talvez porque haja interdisciplinaridade muito forte na nossa área, com a presença de professores de diferentes formações. Hoje, essas forças estão mais equilibradas, mas ainda assim as mulheres foram e continuam sendo fundamentais para o crescimento e o fortalecimento da Ciência da Informação.

Ibict: Em tempos de Internet e fake news, qual o futuro que a senhora vê para a Ciência da Informação?

Lena Vania Pinheiro: A Ciência da Informação tem muita importância no presente e terá no futuro também. A base de tudo é informação.  Quanto maior for o número de informações circulando, mais será necessário existir organicidade dos conhecimentos. É fato que o mundo mudou muito, então é preciso se preparar para lidar com essa nova realidade. As fake news, por exemplo, são informações que precisamos gerenciar. Quando a Ciência da Informação surgiu nos Estados Unidos, veio como fruto de todos os envolvidos no desenvolvimento de pesquisas no âmbito da Segunda Guerra Mundial. Os Estados Unidos sempre tiveram a percepção do quanto a informação é estratégica e custou muito tempo para o Brasil perceber isso. Não é à toa que Estados Unidos financiam programas e ações nessa área, porque sabem que aquela informação é oriunda de pesquisa e traz muito conhecimento novo. Informação é poder, este é um lugar comum, mas verdadeiro desde sempre, e isso tem ocorrido cada vez mais. 

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Esta entrevista integra uma série do mês de setembro em homenagem aos 50 anos do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação, desenvolvido por meio de convênio entre a Universidade Federal do Rio de Janeiro e o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia. A série destacará o trabalho das mulheres na vanguarda do PPGCI/Ibict/UFRJ.


Patrícia Osandón
Núcleo de Comunicação Social do Ibict

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O mundo nunca esteve tão voltado para as discussões sobre direitos da mulher, violência sexual contra mulheres e feminicídio. O assunto passou a ser pauta especialmente durante a pandemia da COVID-19, uma vez que o regime de isolamento social causado pela doença evidenciou ainda mais as vidas de mulheres que vivem em situação de violência. Nas redes sociais, por exemplo, houve um aumento de 431% nos relatos envolvendo brigas de vizinhos no Twitter, sendo que havia cerca de 52 mil menções com indicativos de brigas entre casais entre os meses de fevereiro e abril de 2020, conforme relatório do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Tendo como ponto de partida toda essa complexa realidade, com foco na desnaturalização da violência sexual contra mulheres a partir do estudo da folksonomia [entenda sobre o assunto na entrevista] das hashtags #primeiroassédio e #mexeucomumamexeucomtodas na mídia social Facebook, a estudante Nathália Lima Romeiro escreveu a dissertação “Vamos fazer um escândalo: a trajetória da desnaturalização da violência contra a mulher e a folksonomia como ativismo em oposição à violência sexual no Brasil”.

A dissertação, orientada pelo professor Arthur Coelho Bezerra, foi defendida no Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação (PPGCI), desenvolvido por meio de convênio entre a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict). O referencial teórico do trabalho de Nathália Romeiro foi baseado nos estudos de gênero especialmente relacionados à violência sexual contra mulheres e em instrumentos normativos que criminalizaram a violência contra mulher desde o período colonial até 2018.

Nathália Romeiro é licenciada em Biblioteconomia pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), mestre em Ciência da Informação pelo PPGCI/Ibict/UFRJ e doutoranda em Ciência da Informação pelo Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A estudante e pesquisadora fez parte das equipes organizadoras dos livros “O Protagonismo da Mulher na Biblioteconomia e Ciência da Informação” (2018), “O Protagonismo da Mulher na Arquivologia, Biblioteconomia, Museologia e Ciência da Informação” (2019), e “Do invisível ao visível: saberes e fazeres das questões LGBTQIA+ na Ciência da Informação?” (2019).

Em entrevista para o site do Ibict, Nathália Romeiro conta sobre o estudo realizado durante a dissertação de mestrado. Confira!

Ibict: Como surgiu a ideia do seu estudo?

Nathália Romeiro: Entrei no PPGCI/Ibict/UFRJ para trabalhar um assunto completamente diferente. Propus desenvolver um estudo sobre competência em informação em uma determinada comunidade. Paralelo a isso, sentia cotidianamente a necessidade de dar mais atenção aos estudos de gênero, principalmente por ser uma mulher e também porque percebi que haviam poucos estudos de gênero na área. Tenho o costume de respeitar o tempo das coisas e decidi seguir estudando a Ciência da Informação com um olhar atento às questões de gênero e assim cheguei ao movimento social digital chamado #mexeucomumamexeucomtodas.

A partir disso, o meu olhar não só sobre estudos de gênero, mas também sobre mídias sociais e organização do conhecimento convergiram e passei a me interessar pelo estudo de como as mídias sociais e o uso das hashtags podem ser importantes ferramentas para pautas consideradas tabu, como a violência sexual contra meninas e mulheres. Foi um processo de sensibilização bastante difícil, haja vista o conteúdo das narrativas de violência reportadas e indexadas a partir das hashtags. Ainda assim, como cidadã e pesquisadora, achei fundamental não ignorar o interesse sobre o tema e desenvolver esse estudo na Ciência da Informação.

Ibict: Poderia explicar sobre folksonomia das hashtags nas mídias sociais?

Nathália Romeiro: A folksonomia é um campo de estudo da organização do conhecimento popularmente conhecido como “classificação do povo”. Representa a autonomia de interagentes digitais sobre determinado assunto, usando uma linguagem naturalmente digital. O uso das hashtags representa um tipo de folksonomia que foi popularizado nas mídias sociais digitais, a princípio no Twitter e depois também em outras mídias, como o Facebook e o Instagram, por exemplo. É necessário evidenciar que as hashtags são utilizadas atualmente para movimentar discussões políticas e econômicas diversas, e que o ativismo digital não obedece a um código moral específico, ou seja, elas podem ser utilizadas para diversos fins, inclusive para promover discursos de ódio.

No caso da minha pesquisa, observei como esse fenômeno foi utilizado para a promoção do debate sobre violência contra meninas e mulheres, como o uso das hashtags contribuíram para o rompimento do pacto do silêncio e a formação de redes de apoio a vítimas de violência no Facebook. É possível dizer que a maioria das pessoas que utiliza essas mídias teve contato com este tipo de indexação e, provavelmente, a maioria das pessoas que compartilha conteúdos nas redes utilizou ou consumiu informações nos quais esse tipo de linguagem esteve presente.

Ibict: Como as redes sociais estão transformando a violência contra a mulher?

Nathália Romeiro: As mídias sociais, apesar de aumentarem a visibilidade do enfrentamento à violência contra mulheres, não atuam de fato na solução dos casos, tampouco na punição criminal dos algozes. Entretanto, o ativismo nas mídias digitais possibilita discussão sobre a temática e isso impacta não só na popularização do assunto, como também contribui para reflexão sobre a cultura do estupro e para a formação de redes de apoio entre pessoas vítimas de violência e aliados(as).  

Em termos históricos, esse tipo de ativismo iniciou em 2015, ano que ficou popularmente conhecido como o ano do empoderamento da mulher nas mídias sociais. O uso dessas mídias como espaços de ativismo para pautas das mulheres popularizou-se a partir da cerimônia do Oscar de 2015. Nesse evento, diversas participantes utilizaram a hashtag #AskHerMore [pergunte mais a ela] para combater estereótipos de gênero e misoginia por parte de jornalistas que perguntavam mais sobre a vestimenta de mulheres do que sobre seus trabalhos.

No Brasil, o uso de hashtags em oposição à violência contra mulheres também começou em 2015 e continua até os dias atuais. A primeira hashtag a se popularizar no país foi a #primeiroassédio, incentivada também no Twitter pela ONG “Think Olga”, ao denunciar o assédio de homens adultos em relação a uma menina de 12 anos participante do programa de culinária “Masterchef Junior”. A partir desta denúncia, diversas mulheres e homens compartilharam seus primeiros assédios sofridos, deixando a temática da naturalização do assédio em voga no Twitter e Facebook em evidência até 2018. A partir da #primeiroassédio emergiram outras campanhas, não só no Brasil, mas também em outros países.

Ibict: Em tempos de pandemia de COVID-19, temos visto que as estatísticas de violência contra a mulher aumentaram. Tendo seus estudos como base, como as redes sociais podem atuar na prevenção da violência contra a mulher?

Nathália Romeiro: No contexto de pandemia, no qual é recomendado o isolamento espacial, o engajamento na internet ganha outras proporções. Sobretudo para popularização do assunto e compartilhamento de informações em relação à violência contra mulheres. Tenho acompanhado que, para além do desabafo, esses espaços têm sido importantes para promover o diálogo e a conscientização não só sobre a violência contra mulher, mas também em relação à cultura do estupro, ao consumo de pornografia e à performance de masculinidade tóxica, que são temáticas importantes para pensarmos em estratégias cidadãs para o enfrentamento à violência contra mulheres.  

Em relação ao aumento de casos, é necessário considerar dois aspectos: o primeiro é que nem sempre a quantidade de denúncias reflete a quantidade de casos de violência vivenciados. Muitas pessoas ainda não denunciam seus algozes por medo do agressor ou por não acreditarem que o agressor será punido judicialmente. O segundo é que a solução para o problema por vezes não virá rapidamente, haja vista que o patriarcado ainda é um sistema hegemônico na cultura ocidental. Acredito que o engajamento, os movimentos sociais e a construção de debates coletivos acerca da temática sejam alguns dos caminhos para o enfrentamento à violência.

Cabe destacar a urgência para que esse problema seja discutido também na política e que sejam realizadas ações institucionais para conscientização da população e enfrentamento à violência tanto no âmbito jurídico, como uma questão de saúde pública e assistência social. Ficou comum, nesse contexto, que as pessoas utilizassem as mídias para promoção de debates por meio de lives e outros eventos na Web. É interessante observar como diversas pessoas, de dentro e fora do ambiente acadêmico, optaram por discutir temáticas que antes eram consideradas tabus tão abertamente nos seus espaços virtuais.

Acredito que, para além das denúncias, relatos e formação de redes de apoio, o engajamento em oposição à violência contra mulher contribui para que outros temas sejam discutidos, como, por exemplo, masculinidade tóxica, relacionamentos abusivos, entre outros. Esse movimento, portanto, representa uma oportunidade de aprendizado coletivo protagonizado por qualquer pessoa que se propõe a discutir e compartilhar seus conhecimentos com a sua rede de contatos.  

Ibict: Como fazer da Ciência da Informação uma ciência cada vez mais preocupada com temáticas importantes para a humanidade, como a violência contra a mulher?

Nathália Romeiro: Atualmente, é possível dizer que a temática vem ganhando fôlego nos eventos acadêmicos, especialmente no ENANCIB [Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação], principal evento de Ciência da Informação do país. Além disso, outras iniciativas vêm sendo realizadas, como as atividades do Grupo de Estudos e Pesquisas em Mediação da Informação e Marcadores Sociais da Diferença (GEMINAS), coordenado pelas professoras Gisele da Rocha Côrtes e Gracy Martins, da Universidade Federal da Paraíba, por exemplo.

Acredito que cada vez mais pesquisadoras e pesquisadores da área vão se interessar pela temática. Penso que por meio da divulgação científica em diferentes canais de comunicação, bem como a criação de eventos e disciplinas que discutam questões de gênero e sexualidade na ciência da informação sejam importantes, não só para a sensibilização de discentes e pesquisadores sobre o assunto, mas também para a popularização do tema na área.

É necessário que a comunidade científica se dedique a realizar a divulgação dos saberes produzidos para além do ambiente acadêmico, adequando a linguagem para que diferentes públicos possam acessá-la.

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A dissertação de Nathália Romeiro está disponível integralmente no Repositório Institucional do Ibict, em: https://ridi.ibict.br/handle/123456789/1074.


Patrícia Osandón
Núcleo de Comunicação Social do Ibict

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No próximo dia 06 de agosto será realizado o III Painel de Altos Estudos para comemorar os 50 anos de pesquisa em Ciência da Informação na América Latina e Caribe. O painel é promovido pelo Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação (PPGCI), desenvolvido por meio de convênio entre a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict), que também completa 50 anos em 2020.

O evento reunirá pesquisas avançadas de estágio pós-doutoral realizadas pelo PPBCI/Ibict/UFRJ e pelo Centro de Altos Estudos em Ciência da Informação e Inovação da Coordenação de Ensino e Pesquisa, Ciência e Tecnologia da Informação do Ibict (CENANCIN/COEPE). A transmissão será on-line e ao vivo no Youtube do PPGCI/Ibict/UFRJ.

“O Painel também integra a participação das pesquisas premiadas do Instituto, com foco em mestrandos, doutorandos, docentes e pesquisadores envolvidos em práticas científicas de inovação avaliadas e com distinção em agências de fomento e sociedades científicas. O evento concentra-se em pesquisas de pós-doutorado em fase de conclusão e em desenvolvimento na COEPE, com temáticas sociais inovadoras, apresentando métodos, teóricos e teorias para soluções informacionais dos problemas de nossa realidade”, explica o professor Gustavo Saldanha, coordenador do PPGCI/Ibict/UFRJ.

Confira abaixo a programação do painel:

16h10: Desenvolvimento de um repositório digital para o Laboratório em Rede de Humanidades Digitais – LARHUD
Pesquisadora: Márcia Teixeira Cavalcanti
Supervisor: Ricardo Medeiros Pimenta

16h30 - Economia Circular – uma análise crítica rumo à mudança de paradigma
Pesquisadora: Rosaura Maria Nascimento de Morais
Supervisora: Liz-Rejane Issberner

16h50 - Repertório bibliográfico de literatura sobre povos e comunidades tradicionais no Brasil
Pesquisadora: Elisa Machado
Supervisor: Gustavo Saldanha

17h10 - O Edital Universal: caracterizando o financiamento na área de Ciência da Informação
Pesquisadora: Kizi Mendonça de Araújo
Supervisor: Fábio Gouveia

17h30 - Um mundo vidente-canibal: um informe da América Indígena para os estudos informacionais
Pesquisador: Vinícios Souza de Menezes
Supervisores: Rosali Fernandez de Souza; Gustavo Saldanha

17h50 - Mapeamento discursivo da mediação literária no escopo da Biblioteconomia e Ciência da Informação
Pesquisadora: Patrícia Vargas Alencar
Supervisor: Gustavo Saldanha

18h10 - Dados abertos governamentais brasileiros nas pesquisas científicas
Pesquisadora: Larriza Thurler
Supervisor: Fábio Castro Gouveia

18h30 - Cognição e informação: da cibernética à filosofia da técnica de Gilbert Simondon
Pesquisador: Danilo Melo
Supervisor: Ricardo Medeiros Pimenta

Serviço:
III Painel de Altos Estudos
Dia: 06 de agosto de 2020 – 16h às 19h
Onde: Canal do PPGCI no Youtube (clique aqui para acessar)



Patrícia Osandón
Núcleo de Comunicação Social do Ibict

Publicado em Notícias

A partir da ideia de ampliar as discussões sobre as agendas ambientais de governos, sociedade civil e comunidade acadêmica e a mudança no uso dos recursos naturais no planeta, Úrsula Gomes Rosa Maruyama escreveu a tese de doutorado intitulada “Educação para o Antropoceno: sustentabilidade ambiental na Rede Federal de Ensino Profissional Científico e Tecnológico”.

A tese, orientada pela professora Liz-Rejane Issberner, foi defendida no Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação (PPGCI), desenvolvido por meio de convênio entre a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict).

Ao longo do trabalho, Úrsula Maruyama discute questões envolvendo o Antropoceno, o aquecimento global, a agenda ambiental no século XXI e a educação pública como fator importante para a disseminação de informações científicas para a sociedade. A partir desses assuntos e por meio do conceito de regime de informação, Úrsula Maruyama elaborou uma análise crítica das relações entre os atores, os processos de mediação e as práticas informacionais na Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, instituída pela lei nº 11.892, de 29 de dezembro 2008.

Além de doutora pelo PPGCI/Ibict/UFRJ, Úrsula Maruyama é mestre em Ciência, Tecnologia e Educação e graduada em Administração Industrial pelo Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (CEFET-RJ). Úrsula Maruyama atua na Gerência de Projetos da Diretoria de Desenvolvimento da Secretaria de Educação Tecnológica do Ministério da Educação por meio de um acordo de cooperação técnica com o Núcleo Estruturante de Política de Inovação do Instituto Federal Goiano.

Em entrevista para o Ibict, Úrsula Maruyama conta mais sobre o tema desenvolvido na tese. Confira!

Ibict: Como surgiu a proposta de realizar seu estudo?

Úrsula Maruyama: A ideia da pesquisa veio a partir da inquietação gerada nas reflexões epistemológicas que fazíamos após as aulas da professora Liz-Rejane Issberner no PPGCI/Ibict/UFRJ. Tendo como base as pesquisas anteriores da professora Liz com Philippe Lèna e minha própria formação e experiência profissional na Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, onde na época atuava como pró-reitora de desenvolvimento institucional, elaborei uma proposta de tese que pudesse associar os dois assuntos e contribuir com a conscientização ambiental da sociedade.

Ibict: Poderia explicar o que é o antropoceno?

Úrsula Maruyama: Nada melhor do que citar os próprios pesquisadores motivadores deste estudo. Para os professores Philippe Lèn e Liz-Rejane Issberner, o uso da palavra Antropoceno representa melhor a descrição da história, na qual a espécie humana - Homo sapiens - gerou impactos na natureza equivalentes a uma força geológica capaz de modificar os parâmetros biofísicos do planeta, que se difunde rapidamente, além do seu comportamento original.  

Ou seja, os nossos comportamentos de consumo exagerado, a obsolescência programada e o crescimento da utilização dos recursos naturais de forma desproporcional ao período de sua regeneração geram o desequilíbrio do ecossistema planetário, que cientificamente vem sendo demonstrado por meio de diversas pesquisas em todo o mundo e tem afetado a todos nós.

Ibict: Por que estudar a educação para o antropoceno?

Úrsula Maruyama: Porque a educação é um dos principais pilares que podemos utilizar para a formação cidadã, na qual não se objetiva apenas “produzir por produzir”, fundamentando-nos no propósito de construir uma sociedade mais justa socialmente e ambientalmente sustentável.

Ibict: Como a Ciência da Informação e o antropoceno estão relacionados na sua tese?

Úrsula Maruyama: Considera-se que a abordagem teórica de Regime de Informação apresenta um potencial de explicações para os fenômenos que envolvem distintos atores políticos, institucionais e de outras esferas, na adoção de novas propostas de ensino, que, no caso da tese, estão associadas à conscientização ambiental no Antropoceno.

Gostaria de citar o conceito de Regime de Informação, defendido pela querida professora Maria Nélida Gonzalez de Gómez. Ela diz que se trata de “um conjunto mais ou menos estável de redes sociocomunicacionais formais e informais nas quais informações podem ser geradas, organizadas e transferidas de diferentes produtores, através de muitos e diversos meios, canais e organizações, a diferentes destinatários ou receptores, sejam estes usuários específicos ou públicos amplos”. Assim, por meio do conceito de Regime de Informação apresenta-se a perspectiva da tese com a integração dos temas Antropoceno, Ciência da Informação e Educação.

Ibict: O mundo está preparado para discutir sobre educação para o antropoceno?

Úrsula Maruyama: Não é uma questão de estar preparado. Não temos mais tempo, precisamos desta discussão com urgência. Jovens como a ambientalista sueca Greta Thunberg têm procurado levantar estas questões. Precisamos que não só da atuação das lideranças estudantis, mas que este tópico seja levado à ponta, nas salas de aula, com maior capilaridade possível, em todos os cantos do Brasil e no mundo.

A tese de Úrsula Maruyama está disponível integralmente no Repositório Institucional do Ibict, em: http://ridi.ibict.br/handle/123456789/1037.

 

Patrícia Osandón
Núcleo de Comunicação Social do Ibict

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A partir do tema "Diálogos sobre Ciência Aberta", o Encontro Brasileiro de Bibliometria e Cientometria (7° EBBC) reuniu, no último dia 23, estudantes e profissionais de todo o país para discussões sobre Ciência Aberta no Brasil. O webinar contou com a presença de Sarita Albagli, professora do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação (PPGCI), desenvolvido por meio de convênio entre a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict), André Appel, pesquisador da Coordenação de Tecnologias Aplicadas a Novos Produtos do Ibict, e os pesquisadores Vanessa Jorge e Josué Languardia, representando a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

O evento foi aberto pela professora Sarita Albagli, que fez um panorama sobre a Ciência Aberta e a relação entre Ciência Aberta e Ciência Cidadã, detalhando as redes de atores envolvidos no processo, as transformações vivenciadas a partir da COVID-19 e a importância da interação entre ciência e movimentos sociais. Conforme a professora, a Ciência Aberta é um campo de disputas e deve envolver uma profunda mobilização social, de modo que várias estratégias sejam desenvolvidas coletivamente com a participação de toda a sociedade.

Em seguida, a pesquisadora Vanessa Jorge debateu questões envolvendo o compartilhamento, a abertura e a gestão de dados no contexto da Ciência Aberta, bem como trouxe detalhes a respeito de uma rede de instituições que atuam no âmbito do 4º Plano de Ação Nacional para Governo Aberto, lançado em outubro de 2018 dentro da Parceria para Governo Aberto (OGP). Além disso, Vanessa Jorge detalhou questões envolvendo as diferenças entre o compartilhamento e a abertura de dados, bem como o campo científico da Ciência Aberta e todas as relações estabelecidas, a partir dos estudos do sociólogo Pierre Bourdieu e as disputas de poder.

Por sua vez, André Appel realizou uma apresentação voltada para a Ciência Aberta, as publicações abertas e a gestão de dados de pesquisa. Ao longo da apresentação, o pesquisador discutiu sobre o conceito e o processo de geração e sustentabilidade de dados de pesquisa e explicou detalhes a respeito das publicações científicas e do papel do pesquisador com a Ciência Aberta.

Por fim, José Languardia detalhou as ações de Ciência Aberta realizadas pela Fiocruz, no âmbito da Coordenação de Informação e Comunicação. Conforme Josué Languardia, a Ciência Aberta na Fiocruz está amparada em alguns princípios, entre eles o interesse público, a gestão de abertura de dados para pesquisa e o desenvolvimento de capacidades e sustentabilidade.

O evento pode ser assistido integralmente via Youtube. Clique aqui para assistir (link via Youtube).

Patrícia Osandón
Núcleo de Comunicação Social do Ibict

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No último dia 22, a professora e pesquisadora Lena Vania Ribeiro Pinheiro esteve presente em uma mesa redonda do Encontro Brasileiro de Bibliometria e Cientometria (7° EBBC). Lena Vania Pinheiro é docente do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação (PPGCI), desenvolvido por meio de convênio entre a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict).

Em um evento on-line com a mediação da professora Jacqueline Leta e a participação de estudantes e profissionais da Ciência da Informação de todo o país, Lena Vania Pinheiro discutiu sobre “Diálogos em Metrias da Informação e da Comunicação”. Durante a apresentação, Lena Vania Pinheiro realizou um panorama histórico sobre a temática, discutindo questões como os pioneiros da bibliometria no país e a construção da rede de difusão da abordagem bibliométrica.

Como explicou a professora Lena Vania Pinheiro, a bibliometria chegou ao Brasil juntamente com a implantação do curso de Metrado em Ciência da Informação pelo então Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação (IBBD), hoje Ibict, com a disciplina "Processamento de Dados na Documentação", ministrada pelo Professor Tefko Saracevic.

Após a chegada da bibliometria no país, vários pesquisadores começaram a se destacar no assunto. Lena Vania citou alguns dos autores que são referências na área e que atuaram como pioneiros da Bibliometria no Brasil e no mundo, como Alan Pritchard, Derek de Solla Price, Eugene Garfield, Paul Otlet e Tefko Saracevic, entre outros.

Além disso, Lena Vania Pinheiro citou algumas referências bibliográficas, como o artigo A Bibliometria no Brasil”, de Rubén Urbizagástegui Alvarado, publicado pela revista Ciência da Informação, em 1984; e Informação, Ciência, Política Científica: o pensamento de Derek de Solla Price”, publicado em 1974 na revista Ciência da Informação, de autoria de Gilda Maria Braga.

Lena Vania Pinheiro detalhou como, ao longo da história da Ciência da Informação e da bibliometria, os orientandos foram se transformando em orientadores, como aconteceu com ela mesma, inicialmente orientanda da professora Gilda Braga e posteriormente orientadora de muitos estudantes. O compartilhamento de conhecimentos em bibliometria colaborou para que há três gerações sejam realizadas pesquisas sobre o assunto no Brasil.

O evento está disponível integralmente no Youtube do 7º EBBC.

Acompanhe o evento clicando aqui (link via Youtube). 


Patrícia Osandón
Núcleo de Comunicação Social do Ibict

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