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Sexta, 31 Julho 2020 08:27

Ibict indica: sugestão de leitura sobre educação para o antropoceno

A partir da ideia de ampliar as discussões sobre as agendas ambientais de governos, sociedade civil e comunidade acadêmica e a mudança no uso dos recursos naturais no planeta, Úrsula Gomes Rosa Maruyama escreveu a tese de doutorado intitulada “Educação para o Antropoceno: sustentabilidade ambiental na Rede Federal de Ensino Profissional Científico e Tecnológico”.

A tese, orientada pela professora Liz-Rejane Issberner, foi defendida no Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação (PPGCI), desenvolvido por meio de convênio entre a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict).

Ao longo do trabalho, Úrsula Maruyama discute questões envolvendo o Antropoceno, o aquecimento global, a agenda ambiental no século XXI e a educação pública como fator importante para a disseminação de informações científicas para a sociedade. A partir desses assuntos e por meio do conceito de regime de informação, Úrsula Maruyama elaborou uma análise crítica das relações entre os atores, os processos de mediação e as práticas informacionais na Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, instituída pela lei nº 11.892, de 29 de dezembro 2008.

Além de doutora pelo PPGCI/Ibict/UFRJ, Úrsula Maruyama é mestre em Ciência, Tecnologia e Educação e graduada em Administração Industrial pelo Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (CEFET-RJ). Úrsula Maruyama atua na Gerência de Projetos da Diretoria de Desenvolvimento da Secretaria de Educação Tecnológica do Ministério da Educação por meio de um acordo de cooperação técnica com o Núcleo Estruturante de Política de Inovação do Instituto Federal Goiano.

Em entrevista para o Ibict, Úrsula Maruyama conta mais sobre o tema desenvolvido na tese. Confira!

Ibict: Como surgiu a proposta de realizar seu estudo?

Úrsula Maruyama: A ideia da pesquisa veio a partir da inquietação gerada nas reflexões epistemológicas que fazíamos após as aulas da professora Liz-Rejane Issberner no PPGCI/Ibict/UFRJ. Tendo como base as pesquisas anteriores da professora Liz com Philippe Lèna e minha própria formação e experiência profissional na Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, onde na época atuava como pró-reitora de desenvolvimento institucional, elaborei uma proposta de tese que pudesse associar os dois assuntos e contribuir com a conscientização ambiental da sociedade.

Ibict: Poderia explicar o que é o antropoceno?

Úrsula Maruyama: Nada melhor do que citar os próprios pesquisadores motivadores deste estudo. Para os professores Philippe Lèn e Liz-Rejane Issberner, o uso da palavra Antropoceno representa melhor a descrição da história, na qual a espécie humana - Homo sapiens - gerou impactos na natureza equivalentes a uma força geológica capaz de modificar os parâmetros biofísicos do planeta, que se difunde rapidamente, além do seu comportamento original.  

Ou seja, os nossos comportamentos de consumo exagerado, a obsolescência programada e o crescimento da utilização dos recursos naturais de forma desproporcional ao período de sua regeneração geram o desequilíbrio do ecossistema planetário, que cientificamente vem sendo demonstrado por meio de diversas pesquisas em todo o mundo e tem afetado a todos nós.

Ibict: Por que estudar a educação para o antropoceno?

Úrsula Maruyama: Porque a educação é um dos principais pilares que podemos utilizar para a formação cidadã, na qual não se objetiva apenas “produzir por produzir”, fundamentando-nos no propósito de construir uma sociedade mais justa socialmente e ambientalmente sustentável.

Ibict: Como a Ciência da Informação e o antropoceno estão relacionados na sua tese?

Úrsula Maruyama: Considera-se que a abordagem teórica de Regime de Informação apresenta um potencial de explicações para os fenômenos que envolvem distintos atores políticos, institucionais e de outras esferas, na adoção de novas propostas de ensino, que, no caso da tese, estão associadas à conscientização ambiental no Antropoceno.

Gostaria de citar o conceito de Regime de Informação, defendido pela querida professora Maria Nélida Gonzalez de Gómez. Ela diz que se trata de “um conjunto mais ou menos estável de redes sociocomunicacionais formais e informais nas quais informações podem ser geradas, organizadas e transferidas de diferentes produtores, através de muitos e diversos meios, canais e organizações, a diferentes destinatários ou receptores, sejam estes usuários específicos ou públicos amplos”. Assim, por meio do conceito de Regime de Informação apresenta-se a perspectiva da tese com a integração dos temas Antropoceno, Ciência da Informação e Educação.

Ibict: O mundo está preparado para discutir sobre educação para o antropoceno?

Úrsula Maruyama: Não é uma questão de estar preparado. Não temos mais tempo, precisamos desta discussão com urgência. Jovens como a ambientalista sueca Greta Thunberg têm procurado levantar estas questões. Precisamos que não só da atuação das lideranças estudantis, mas que este tópico seja levado à ponta, nas salas de aula, com maior capilaridade possível, em todos os cantos do Brasil e no mundo.

A tese de Úrsula Maruyama está disponível integralmente no Repositório Institucional do Ibict, em: http://ridi.ibict.br/handle/123456789/1037.

 

Patrícia Osandón
Núcleo de Comunicação Social do Ibict

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