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O Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia promoveu ontem (24/6), mais uma live QuartaàsQuatro. O tema desta edição foi “Mudanças Climáticas: entre desinformações e desigualdades”, com Liz-Rejane Issberner e Philippe Léna.

Liz-Rejane Issberner é pesquisadora titular do Ibict e professora do Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação (PPGCI), desenvolvido por meio de convênio entre a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e o Ibict. A pesquisadora realizou pós-doutorado pelo Institut de Recherche pour le Développement (IRD-Paris) e é doutora e mestre em Engenharia de Produção pela COPPE/Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Philippe Léna é pesquisador emérito do (IRD-Paris), possui graduação em História e Geografia (Sorbonne, 1970) e doutorado em Geografia Humana (Universidade de Paris I Panthéon Sorbonne, 1980). Desde 1980, o professor vem se dedicando ao estudo das contradições do desenvolvimento na Amazônia e às políticas públicas visando a sustentabilidade.

Para entender melhor como se constrói o negacionismo climático, Lená apresentou de forma detalhada a linha histórica que explica as dimensões do colapso ambiental no mundo. Ele também explorou o progresso nas discussões que apontavam para a importância das questões climáticas, que só se tornaram políticas em 1989, quando representantes de governo de 60 países se reuniram em Noordwijk (Holanda) para discutir o tema.

Para o pesquisador, o negacionismo do clima (corrente que não acredita no aquecimento global como consequência da intervenção humana, por exemplo) deve ser situado num contexto mais amplo, em que são levados em conta aspectos como exclusão social, globalização, rejeição às instituições e à ciência, desvalorização da tradição e insegurança em relação ao futuro.

“O negacionismo nasceu nos meios conservadores norte-americanos como uma reação ao crescimento das ciências ambientais que ameaçavam impor regulações e limitações à iniciativa privada”, informa Léna, que cita os fenômenos que compõe ou facilitam a expressão do negacionismo, como redes sociais, fake news, ceticismo generalizado e conceitos de pós-verdade e relativismo.

Liz-Rejane chamou atenção para as formas de desigualdade na produção das mudanças climáticas e sua dimensão jurídica. Ela explica que a justiça climática é englobada pela justiça ambiental, que trata de ações como invasão de territórios indígenas ou destruição de espaços com populações tradicionais para construção de represas.

Como exemplo, a professora apresentou dados e infográficos demonstrativos com as regiões do planeta e a quantidade de suas emissões totais de CO2. A partir destas informações, relacionou o nível de emissões às questões de renda e população e apontou que “o padrão de vida é um fator determinante no nível das emissões dos países”.

Para Liz-Rejane, as ações humanas em função da lógica utilitarista do mercado desencadearam uma crise ambiental sem precedentes. “Encontrar um caminho viável para o nivelamento da desigualdade é um dos maiores desafios deste século”, completa.

Confira abaixo o vídeo completo do encontro.

Lucas Guedes
Núcleo de Comunicação Social do Ibict

Publicado em Notícias
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