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Sob o lema "Ciência Aberta é Vida", o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict) acaba de lançar o Diretório de Fontes de Informação Científica de Livre Acesso sobre o Coronavírus. O diretório tem o objetivo de reunir as fontes de informações científicas em acesso aberto, tanto nacionais como internacionais, que disponibilizam conteúdos sobre o coronavírus e a COVID-19. O serviço está inserido dentro dos princípios do Ibict de uma atuação comprometida e disseminadora da Ciência Aberta no Brasil.

O diretório disponibiliza artigos científicos já publicados e também pré-prints (em português pré-publicações), ou seja, um manuscrito de um artigo científico que ainda não foi publicado em uma revista científica. Além disso, o diretório reúne dados de pesquisa, ensaios clínicos, teses, dissertações, relatórios e evidências e outros materiais referentes à produção dos pesquisadores de todo o mundo. A navegação no diretório é feita a partir dos diferentes tipos de fontes levantadas.

Como explica Bianca Amaro, coordenadora-geral de Pesquisa e Manutenção de Produtos Consolidados do Ibict (CGPC), “as ciências nacionais e internacionais têm se unido na disseminação de informações relacionadas à COVID-19, e muitos periódicos, antes com acesso fechado, têm aberto seus sistemas para a troca de informações a respeito. Muitas dessas bases de dados, notadamente em sua grande maioria internacionais, são de propriedade de grandes editoras comerciais, que cobram altos valores pelo seu acesso”.

“O mundo científico está se unindo para encontrar uma solução para a pandemia e, por isso, o acesso e a troca de informações científicas são cruciais. Ao estar em constante prospecção e identificação de fontes científicas em acesso aberto e reuni-las em um diretório, o Ibict facilita aos pesquisadores a busca e ao acesso do que os pesquisadores de todo o mundo estão descobrindo em relação ao tema”, afirma Bianca Amaro.

A coordenadora acrescenta que os pesquisadores geralmente precisam procurar em vários locais as informações que precisam e que, nesse sentido, o diretório concentrará tudo em apenas um local e com acesso aberto. “Ganha-se tempo e vale considerar que tempo é algo precioso para salvar vidas. Além disso, dessa forma, o Ibict demonstra que continua sendo uma instituição promotora do acesso aberto à informação científica no Brasil”, pontua Bianca Amaro.

Bianca Amaro reforça também que a Ciência Aberta evidencia a sua importância em contextos como a pandemia da COVID-19. “Essa crise é a prova de que o conhecimento científico tem que ser, sempre, amplamente disseminado. Esperamos que a pandemia faça o mundo compreender que a ciência é um bem comum, que não pode ter barreiras comerciais de acesso. Os cientistas devem ter ao seu dispor toda informação, fruto de pesquisas já realizadas pelos seus pares”, finaliza.

A partir do princípio de que o diretório é um trabalho colaborativo de identificação e acesso a fontes de informação, o Ibict convida a todos para participarem indicando fontes que, por ventura, ainda não estejam listadas. A indicação de novas fontes pode ser feita por meio do e-mail: diretoriodefontes@ibict.br.

Acesse o Diretório de Fontes de Informação Científica de Livre Acesso sobre o Coronavírus: http://diretoriodefontes.ibict.br/coronavirus.

Sobre Ciência Aberta

A Ciência Aberta é uma prática científica que visa uma transformação no modus operandi da pesquisa científica. Ela pressupõe a abertura de todo o processo científico, que deve ser feito de modo transparente e colaborativo. A Ciência Aberta inclui o compartilhamento dos dados de pesquisa, das publicações, metodologias, ferramentas e softwares utilizados, possibilitando sua reutilização e replicabilidade por outros pesquisadores. Além disso, também inclui o conceito de Ciência Cidadã, em que o engajamento da sociedade no processo científico é valorizado. Assim, pressupõe uma série de mudanças de paradigmas que buscam fazer com que a ciência seja um bem comum à sociedade.

O Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia é uma instituição de pesquisa comprometida e disseminadora da Ciência Aberta no Brasil. Neste sentido, ao longo dos anos tem desenvolvido ações, serviços e ferramentas para a organização e compartilhamento dos resultados de pesquisa e, mais recentemente, dos dados científicos.

Texto e arte: Núcleo de Comunicação Social do Ibict

Publicado em Notícias

A Liinc em Revista está com a submissão aberta de artigos para o dossiê temático “Perspectivas e desafios informacionais em tempos da pandemia da Covid-19”. Além de artigos, o dossiê temático incluirá uma seção com relatos de experiências inovadoras nos temas propostos. O prazo de submissão é até 15 de agosto de 2020 (sem prorrogação).

A Liinc em Revista é um periódico científico de acesso aberto de âmbito internacional e avaliação por pares, para a reflexão crítica sobre os processos de produção, circulação e apropriação da informação e do conhecimento, ante as transformações no mundo contemporâneo. A revista é indexada por Doaj, Latindex e Harvester e avaliada no Qualis da Capes.

O dossiê é organizado pelas pesquisadoras Sarita Albagli (Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia - Ibict) e Vanessa de Arruda Jorge (Fundação Oswaldo Cruz - Fiocruz). A Liinc em Revista tem adotado a publicação em fluxo contínuo, de modo que os textos são publicados à medida que sejam aprovados e formatados para publicação.

Confira a seguir a ementa e as regras de submissão:

Ementa do dossiê temático “Perspectivas e desafios informacionais em tempos da pandemia da Covid-19”

A situação de emergência e crise ante os riscos e repercussões de várias ordens associados à eclosão da pandemia da Covid-19 tem motivado ações e questões relativas a produção, análise, compartilhamento, abertura, divulgação e disseminação de diferentes tipos de informação: científica, sanitária, comunitária, cívica, entre outras. Suas implicações fazem-se sentir em vários níveis e dimensões: social, política, cultural, ética, tecnológica, econômica e científica.

O dossiê irá abranger diferentes aspectos, inovações e desafios colocados à informação, suas formas de organização, recuperação, representação e acesso, ante esse quadro, incluindo, mas não se limitando a:

- suas possibilidades como ferramenta de fortalecimento de redes de solidariedade e colaboração;
- seu papel como forma de registro e circulação de pontos de vista e debate público;
- os riscos advindos de movimentos de desinformação e manipulação da opinião;
-  seus usos como dispositivo de controle, vigilância e fortalecimento de modelos e práticas autoritários de governo;
- sua relevância e potencial para promover a adoção da ciência aberta e cidadã, tais como fast track nas publicações científicas e seu acesso aberto, incentivo ao compartilhamento e abertura de dados e protagonismo cidadão na pesquisa;
- seus usos atuais e potenciais como embasamento para decisões sanitárias, políticas, culturais e econômicas;
- seus desafios ante desiguais condições e posições sociais, geopolíticas e geoeconômicos.

REGRAS DE SUBMISSÃO

- Aceitam-se artigos originais em português, espanhol e inglês. Autores não nativos na língua escolhida para o artigo deverão comprovar revisão por tradutor/a profissional.
- A revisão ortográfica e padronização na ABNT é de responsabilidade dos/as autores/as. 
- Nos artigos, o/a primeiro/a autor/a deverá ter preferencialmente titulação acadêmica de Doutor/a e não poderá ter titulação inferior à de Mestre.
- Nos relatos de experiências inovadoras não há titulação mínima.
- Não serão aceitas submissões fora do escopo do dossiê e fora das normas da Liinc em Revista.
- As demais regras e as informações sobre o processo de submissão podem ser encontradas no seguinte endereço: http://revista.ibict.br/liinc.

Texto e arte: Núcleo de Comunicação Social do Ibict, com informações da Liinc em Revista

Publicado em Notícias

Paulo Brandão, professor associado da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (USP), é o estudioso brasileiro com maior destaque no número de publicações sobre o coronavírus da plataforma online sobre Especialistas e Pesquisas sobre o Coronavírus do Ibict (Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tencologia).

Doutor em Epidemiologia Experimental Aplicada às Zoonoses pela USP (2004), Paulo Brandão também é pesquisador associado ao Coronavirus Research Group, e bolsista de produtividade em pesquisa do CNPq, nível 1B. Autor e orientador de vários textos sobre o coronavírus, o professor estuda o assunto desde o ano 2000.

Em entrevista exclusiva para o site do Ibict, Paulo Brandão explica sobre a importância da ciência brasileira e internacional em relação à COVID-19, destaca positivamente o trabalho que tem sido realizado pela rede de pesquisadores, e reforça o perigo das fake news em um momento tão delicado quanto o que o mundo todo vem enfrentando.

Confira a seguir:

Ibict: Qual o papel e a importância da ciência brasileira e mundial neste momento de combate à COVID-19?

Paulo Brandão: Vou responder com um exemplo maravilhoso, que revela a necessidade de colaboração entre cientistas num momento desses. Existe uma instituição chamada INOVAUSP - Centro de Inovação da USP, uma iniciativa conjunta entre várias instituições. Eles têm instalações e laboratórios prontos para atuar em termos de doenças emergentes e vão começar a fazer diagnósticos de COVID-19 em colaboração ao sistema de saúde. O problema é que eles vêm enfrentando falta de materiais para trabalhar. Foi, então, que eles mandaram um e-mail para todos os pesquisadores da USP pedindo alguns materiais para o andamento do trabalho com a COVID-19. E todo mundo colaborou da melhor maneira possível. Foi uma campanha excelente, e proporcionada graças à rede de cientistas que já colaboravam na área.

Outra iniciativa que mostra essa eficiência da colaboração da ciência em momentos importantes é o Instituto de Ciências Biomédicas da USP, que também está envolvido com diagnóstico e pesquisa do coronavírus. Um limitante é a falta de equipamentos de laboratório, são necessárias certas máquinas, certos equipamentos para fazer diagnósticos. Eles lançaram um pedido de ajuda aos pesquisadores. O número de respostas foi impressionante: todo mundo colocou tudo o que tinha à disposição, e houve colaboração da rede de cientistas e instituições. É um modo de ultrapassar uma barreira importante, que é o tempo de chegada desses materiais ao Brasil. Demoraria muito tempo além do tempo que a população poderia esperar. Então, todo mundo se juntou e mandou os recursos para quem está fazendo pesquisas voltadas à COVID-19. Além disso, muitas outras iniciativas de colaboração entre cientistas têm acontecido no Brasil e no mundo.

Ibict: Os cientistas estão efetivamente colaborando para a prevenção, tratamento e cura da COVID-19?

Paulo Brandão: Sim. Muito rapidamente, todos os laboratórios sérios do mundo têm compartilhado informação sobre a COVID-19. Uma informação muito importante era ter o sequenciamento do genoma da COVID-19, para saber, por exemplo, se ele está tendo ou não mutação. Todo mundo que tem feito alguma coisa a respeito tem inserido as informações nos bancos de dados públicos e os demais conseguem acessar e fazer a análise em cima do que já foi feito. Isso tem acontecido em tempo real, antes mesmo de a publicação ser realizada. Autores estão compartilhando dados de virologia, de epidemiologia, de clínica dos pacientes, por exemplo.

Diante disso, pode-se questionar: como é que se forma essa rede de colaboração? E eu respondo que é estimulando ao longo do tempo com o envio de pesquisadores para treinamento fora do país, buscando o intercâmbio com pesquisadores de outros países e a participação em congressos, questões que são fundamentais para que os cientistas construam suas redes de trabalho. Tanto os pesquisadores de longa carreira quanto estudantes em início de jornada precisam participar de eventos fora do país e criar redes de colaboração. É algo que vai muito além de contarem para a comunidade científica a respeito das suas pesquisas. É exatamente em situações como a que estamos vivendo que os cientistas podem mobilizar a sua rede de contatos.

Ibict: É possível avaliar o impacto futuro para a ciência aberta e a valorização da ciência brasileira e mundial após a pandemia?

Paulo Brandão: Muitas revistas passaram a deixar os artigos relacionados ao coronavírus com acesso aberto. Estávamos vivendo, antes da pandemia, no mundo todo, um movimento anticiência, basicamente. Existia um agudo desprezo pela ciência, pelo conhecimento científico e pelas universidades no Brasil e no mundo todo. Agora, todo o mundo está se voltando para os cientistas, querendo saber sobre a cura e a vacina para a COVID-19. Quem está sendo pressionado agora não é quem negava a ciência, quem está sendo procurado são os cientistas. E todos esperam respostas sobre quanto tempo vai durar e se vai haver vacina e remédios.

Disso tudo podemos ter uma previsão para o futuro, que é a possibilidade de as pessoas perceberem que, em todos os problemas que a humanidade conseguiu de fato sair, em todas as civilizações, desde a antiguidade, até os dias atuais, foi por causa da ciência. É fundamental alertar também que cientista não é só quem está, por exemplo, no laboratório trabalhando com um vírus. Um sociólogo, um historiador, um linguista também são cientistas. Todas as ciências precisam ser valorizadas igualmente.

Ibict: Como alertar a população sobre o perigo na disseminação das fake news nesse cenário tão complexo?

Paulo Brandão: Temos que pensar como é que vamos instrumentar as pessoas a entenderem e detectarem as fake news em planos de longo prazo. Todo mundo tem que ser cientista? Não... mas todo mundo tem que ter algum conhecimento em ciência que só pode vir da educação. Isso é algo que deveria acontecer em longo prazo. Devemos estimular a educação em ciência, o pensamento e o método científico nas crianças. Isso trará instrumentos para a pessoa, de modo autônomo, ter o conhecimento inicial para separar o que é fake e o que é ciência.  

Qual a consequência das fake news nessa pandemia? Um resultado possível é que acabam sendo desviados recursos para ações relacionadas às fake news que acabam por diminuir os recursos para onde realmente seria importante. Uma consequência é o mal-uso de recursos baseados em fake news e as más decisões em todos os níveis baseadas nelas. Um exemplo importante agora que está acontecendo é a falsa notícia sobre utilizar a vacina de coronavírus para cachorro para proteger as pessoas, que tem gerado problemas gravíssimos. Ou as fake news sobre os medicamentos que curam a COVID-19. Com isso, além dos riscos envolvidos para quem toma remédios indevidamente, as pessoas que realmente precisam do medicamento não terão para seu tratamento. E o que é que vai acontecer? Por exemplo, doenças como a malária, que é gravíssima, vão ficar sem tratamento.

Ibict: Considerando sua experiência com o estudo do coronavírus, quais medidas que têm sido tomadas pelo mundo que são eficientes especificamente em relação à propagação da COVID-19?

Paulo Brandão: Esse vírus sobrevive por até três horas em aerossóis. O que são aerossóis? Por exemplo, se eu espirrar ou tossir, isso vai fazer uma espécie de spray e o vírus vai ficar no ar por este período. O que quer dizer que é justificada a quarentena e o isolamento social como medidas eficientes de controle de pessoas atingidas pelo vírus. Outro ponto é que esse vírus pode sobreviver de horas até dias em superfícies, tais como plásticos e metais. Ou seja, as medidas higiênicas que têm sido faladas insistentemente nos últimos dias por vários meios, como a higiene das mãos, dos alimentos e das superfícies são fundamentais. Lavar as mãos, aliás, é uma medida de higiene básica que deveria ser realizada como um hábito cotidiano por todos.

Texto e arte: Núcleo de Comunicação Social do Ibict
Foto: Marcos Santos/USP Imagens

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