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Competência em informação

Competência em informação

Em 2005, alinhado às diretrizes do Governo Federal que visam consolidar políticas públicas para realização de ações concretas na área social, o IBICT criou o Programa de Inclusão Social. Passou, assim, a utilizar sua experiência em organizar, armazenar e disseminar informação para atender a outros segmentos da sociedade que não faziam parte do seu universo de usuários até então. Além disso, passou a atuar diretamente na elaboração de metodologias para promover o desenvolvimento de habilidades necessárias ao acesso e uso corretos de informações na Internet, ao que se denomina “competência em Informação (information literacy)”, também chamada de “aprendizagem informacional” ou “aprendizagem em informação”.

A pedra fundamental do Programa foi a criação da revista Inclusão Social, em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT). Lançada em 2005, a Revista veicula trabalhos inéditos em temas ligados a políticas públicas, projetos, estudos e pesquisas, voltados à questão da inclusão social.

Outras frentes foram abertas em direção à construção de um universo informacional onde ciência, tecnologia e inovação promovessem a convergência de ações em prol da inclusão e do desenvolvimento social. O IBICT passou a interagir com os mais diversos segmentos da sociedade brasileira e a trabalhar em metodologias e conceitos que propiciassem o melhor uso de sua expertise e de suas credenciais de órgão nacional de informação para imprimir sua contribuição na nova ordem brasileira: a de oferecer condições para a inclusão de todos os brasileiros na sociedade da informação.

Ao final de 2005, após a realização de estudos preliminares, o IBICT esboçou o seu primeiro Plano de Inclusão Social, onde foram projetadas seis linhas de ação em apoio às áreas identificadas como prioritárias:

Ação 1 – Aprendizagem Informacional

Ação 2 – Software Livre

Ação 3 – Indicadores de Impacto Social

Ação 4 – Popularização da Ciência e da Tecnologia

Ação 5 – Acesso às Tecnologias Sociais

Ação 6 – Corredor Digital para Inclusão Social

O Plano tinha como objetivos estratégicos contribuir socialmente para ampliar a base material da Sociedade da Informação no Brasil para as populações excluídas e identificar mecanismos e processos de integração institucional e tecnológica indispensáveis à inclusão sócio-digital.

Por entender que o cerne da questão da inclusão social no Brasil reside no processo educacional, o IBICT adotou a Aprendizagem Informacional como ponto central do seu Programa, por esta perpassar todas as demais ações, desde as relações produtivas às culturais e sociais. E, ainda, por entender que o uso efetivo das tecnologias é indissociável dessa aprendizagem, o IBICT incorporou ao conceito de aprendizagem informacional o de “aprendizagem digital”, complementando o processo de inclusão desde a montagem de laboratórios de informática para favorecer o acesso às tecnologias, até a promoção da competência no uso da informação – uma carência latente nas camadas menos favorecidas da sociedade brasileira.

O IBICT deu início, então, a uma série de estudos e projetos para concretização desse pensamento: Aprendizagem Informacional e Digital; Mapa de Inclusão Digital (MID); Programa Corredores Digitais: Rural e Indígena; e Centro Nacional de Referência em Inclusão Digital (Cenrid).

Em meados de 2008, o MCT e a Secretaria de Cultura do Governo do Distrito Federal se uniram em torno de uma ação de vanguarda para que a Biblioteca Nacional de Brasília (BNB) fosse construída em bases modernas. Foi uma empreitada de grande impacto positivo na esfera social, que coloca à disposição da população espaços construídos com base em estudos aprofundados e com recursos tecnológicos de ponta, propiciados, respectivamente, pelo IBICT e pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP). Em julho de 2009, destacou-se a criação do Espaço do Pesquisador, para abrigar um acervo físico representativo de Ciência e Tecnologia, além de disponibilizar ferramentas tecnológicas para apoio a pesquisa, preservação, disseminação e popularização da área de C&T.

Em outubro de 2009, após terem sido avaliados os resultados concretos desses estudos e projetos, o IBICT avançou nos conceitos de seu Plano inicial e decidiu por imprimir com clareza a presença da marca de sua especialidade – a Informação – em prol de uma ação maior de inclusão social orquestrada pelo Governo Federal. Estabeleceu, assim, que as iniciativas de inclusão do IBICT passassem a se denominar Programa de Inclusão Informacional.

Descrição das Iniciativas de Inclusão Informacional

As atividades de aprendizagem informacional são transversais a todas as áreas do saber humano e as tecnologias de informação e comunicação tornam-se ferramentas cruciais para o sucesso efetivo dessa aprendizagem. Nesse aspecto, os projetos desenvolvidos pelo IBICT no campo da inclusão informacional têm forte componente educativo aliado ao desenvolvimento de instrumentos pedagógicos, metodologias e ferramentas simplificadas para facilitar o acesso a esse saber. São eles:

Aprendizagem informacional e digital Processo de construção e desenvolvimento de habilidades e competências individuais e coletivas. Aplicada em ambientes de ensino, a aprendizagem informacional e digital constitui um caminho que promove a autonomia e a criatividade requeridas pelos sistemas sociais vigentes. Este é um campo onde se busca estimular a autonomia intelectual e o senso crítico de jovens, no intuito de torná-los produtores de informação e evitar que se transformem em agentes passivos e dependentes da informação produzida por terceiros. Da mesma forma, busca-se atuar junto àqueles que se encontram na condição de leitores passivos. A aplicação da aprendizagem em comunidades carentes tem como objetivo capacitar jovens e adultos no uso das tecnologias em preparação para o mercado de trabalho, e, por conseguinte, promover o desenvolvimento profissional, familiar, econômico-social e de cidadania.

Mapa de Inclusão Digital (MID) – Levantamento das iniciativas de inclusão digital no país por parte de agentes públicos e privados, os chamados Pontos de Inclusão Digital (PIDs). Por meio de uma metodologia própria, o IBICT assessora e transfere tecnologias a alguns Estados, em parceria com as respectivas Secretarias Estaduais de Ciência e Tecnologia, para apoiar o planejamento das ações locais de inclusão digital.

Corredores Digitais (Rural e Indígena) – Com base nos conceitos da Aprendizagem Informacional e Digital, o IBICT e a Secretaria de Ciência e Tecnologia para Inclusão Social (SECIS/MCT), em parceria com a Secretaria de Educação do DF, desenvolvem projetos de capacitação presencial de professores do ensino fundamental e do ensino médio de escolas públicas localizadas em áreas rurais do entorno de Brasília. Em parceria com a Fundação Nacional do Índio (Funai), realizou-se um projeto piloto em áreas indígenas da nação Tukano, do Alto Rio Negro, Amazonas. Foram desenvolvidos conteúdos impressos e digitais, bem como ferramentas tecnológicas específicas, tomando como base as Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Indígena, para capacitação de professores indígenas de ensino fundamental, que passaram a atuar como multiplicadores.