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I Colóquio de Informação do CICIB discute Fake News

I Colóquio de Informação do CICIB discute Fake News

1º Colóquio do CICIB

Com o intuito de debater o tema Fake News, o Comitê Interinstitucional de Cooperação Informacional e Bibliotecária (CICIB) do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) promoveu, nesta quarta-feira (26), o I Colóquio de Informação, no auditório do Memorial Darcy Ribeiro, mais conhecido como Beijódromo, da Universidade de Brasília (UnB).  O objetivo do evento foi discutir informações relacionadas com o contexto das Fake News, tais como as agências de checagem, metodologias de checagem, Fake News na ciência e outros em curso. A manhã do encontro foi reservada para a reunião técnica do comitê e para a palestra sobre Fake News promovida pelo editor de política do jornal Correio Braziliense, Leonardo Cavalcanti.

Em sua abordagem, Leonardo Cavalcanti falou sobre as razões para a imprensa tratar de Fake News. Segundo ele, primeiramente, o compromisso com a verdade, que pode ser entendida de várias formas. Em segundo lugar, a oportunidade de legitimação, reforçando o jornalismo. O jornalista mencionou ainda o conceito de Fake News, como um material que embaralha realidade com ficção, no tempo e no espaço, para criar a dúvida. “A dúvida é que incomoda. O causador da Fake News é a criação da dúvida. É como aquela filosofia de boteco: O problema não é saber se o companheiro é infiel. Se a pessoa sabe, ou aceita ou acaba o relacionamento. A aflição está na dúvida”, ressaltou.

Também durante a manhã, a reunião técnica do CICIB contou com a presença da presidente da  Federação Internacional de Associações e Instituições Bibliotecárias (IFLA), Glòria Pérez-Salmerón, do secretário geral da IFLA, Gerald Leitner, da diretora do IBICT, Cecília Leite, do secretário executivo do CICIB, Emir Suaiden, e da coordenadora geral do IBICT, Bianca Amaro.

Na ocasião, foi exposto por Gerald Leitner expôs os desafios que o campo da biblioteca enfrenta com a globalização crescente, que de acordo com ele, só podem ser superados com uma resposta global e inclusiva de um campo de bibliotecas unificadas e dispostas a juntar forças e esforços. “A federação envolveu milhares de bibliotecários e amigos de bibliotecas na discussão da Global Vision ou Visão Global da IFLA, empreendimento que gerará um roteiro de campo da biblioteca unificada para o futuro. Convoco jovens e adultos a participar das discussões. Basta entrar em nosso site e deixar sua ideia de ação. É muito importante a participação de todos, pois caso contrário se perde a força como um todo”, salientou.

Glòria Pérez-Salmerón´, por sua vez, contou os problemas enfrentados pela federação com a globalização e a fragmentação do campo de bibliotecas. A presidente da IFLA  agradeceu o convite feito pela diretora do IBICT para participar do colóquio. “Acredito em motor de mudança, e você, Cecília, é um agente de mudança. Esse é o meu lema: motor de mudança, pois realmente acredito que as pessoas que trabalham juntas e em colaboração irão atingir os seus objetivos. Há três anos, a IFLA viu que estávamos perdendo energia. Somos uma instituição de 91 anos. Vimos a necessidade de reformulações e de uma visão global para o futuro. Temos quatro pilares de estratégias que envolvem as bibliotecas na sociedade; a informação e o conhecimento; a herança cultural; e a capacidade de construção de saberes. Estou feliz em participar deste evento e ter o privilégio de fazer parte do CTC do IBICT e de aprender sempre com vocês”, comentou.

O painel da tarde sobre Fake News teve como mediadora Brasilina Passarelli, professora titular  do Departamento de Biblioteconomia e Documentação da ECA/USP. O diretor-executivo de Jornalismo da Rede CBN, Ricardo Gandour, defendeu a necessidade de incluir nos currículos escolares a educação midiática. Segundo ele, vivemos um movimento que vai do coletivo ao individualizado. Com as redes sociais, o diretor de jornalismo acredita que as Fake News encontram na tecnologia um fator forte para proliferação, com uma mudança na qual todo mundo fala ou escreve, mas não escuta.

“A força de combate às Fake News está no cidadão, tendo ele a capacidade de desconfiar. O jornalismo é o exercício diário e permanente da dúvida. Mas a sociedade não quer conviver com dúvidas, ela quer certeza. As Fake News podem derrubar reputações, pois são inventadas e não meramente uma mentira, um erro, é algo para prejudicar. Deveria se chamar Fraud News. Sempre que ouvir algo muito dramático, desconfie”, afirmou.

Glòria Pérez-Salmerón relatou a sensação de desgosto na primeira vez em que ouviu falar em Fake News. “Nós bibliotecários no mundo estamos associados a um organismo público, socialmente equilibrado. Então, passou como um vendaval em nossas vidas. Daí então reforçou ainda mais a necessidade da alfabetização informacional, fortalecendo a leitura e o pensamento crítico. É fundamental saber identificar o que é verdade e o que é fake ao ler, principalmente em notícias que possam afetar nossa vida. As Fake News alteram o critério de decisão dos indivíduos e de toda uma sociedade”, ponderou.

Emir Suaiden, em sua fala, disse que a fragmentação política e social leva a necessidade da sociedade a um novo modelo de biblioteca e profissional de informação.  Suaiden fez uma reflexão sobre a relação da biblioteca e da sociedade e pontuou questões pertinentes ao tema em questão. Além disso, mencionou as grandes dificuldades enfrentadas pelo setor e a necessidade de formação de um público leitor.

“No Brasil, um país que só um leitor forma outro, se o bibliotecário não foi leitor, não vai formar nenhum. Nesta época, em que você tem toda uma metodologia para validar a informação, o bibliotecário tem que saber, principalmente, ler as entrelinhas. São comuns documentos que você diz que é sim, e a internet diz que é não. É preciso um nove enfoque, o livro não diz a verdade, o memorando não diz a verdade, você tem que ter um processo e um bibliotecário cada vez mais críticos. Passa a ser fundamental para o processo de desenvolvimento de bibliotecários dar a palavra ao não público que são os usuários e não usuários. Hoje no Brasil devemos ter 5% de usuários e 95% de não usuários. Ou seja, milhões de pessoas que não têm acesso á informação. Temos que mudar esse ciclo vicioso cada vez mais”, observou.

Estiveram presentes ao evento o diretor de Gestão das Unidades de Pesquisa e Organizações Socias do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Gustavo Frayha, na ocasião representando o ministro de Estado, Gilberto Kassab, acompanhado de Sanderson Leitão, coordenador das Unidades de Pesquisa do MCTIC. Também esteve presente Karla Skeff, representando a diretora da Unesco no Brasil, Marlova Jovchelovitch Noleto.

 

Daniela Cunha

Núcleo de Comunicação Social do IBICT

Créditos da imagem: Daniela Cunha

Data da Notícia: 27/09/2018 14:45