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Especializações Inteligentes e processos de transformação marcam lançamento de projeto com o envolvimento de várias instituições brasileiras e europeias

Especializações Inteligentes e processos de transformação marcam lançamento de projeto com o envolvimento de várias instituições brasileiras e europeias

Izalci Lucas, Cecília Leite e Paulo Egler na abertura do workshop

 

“A Estratégia de Pesquisa e Inovação para Especializações Inteligentes é um conceito que foi adotado e implementado na União Europeia, e que possui um grande potencial para ser apropriado por outros países. Com isso, esses países podem desenvolver melhor suas políticas de pesquisa e inovação, especialmente no contexto de políticas de desenvolvimento regional”, explicou o professor Dominique Foray, professor catedrático de Economia e Gestão da Inovação pela École Polytechnique Fédérale de Lausanne, durante o Workshop “Especializações Inteligentes: Desafios e Oportunidades para Políticas Regionais de Inovação”, realizado no auditório do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em Brasília, no dia 16 de novembro.

Como explica Dominique, o primeiro especialista a utilizar o termo Especializações Inteligentes no mundo, “mais de 40 bilhões de euros já foram investidos no conceito de Especializações inteligentes. Incluindo o cofinanciamento nacional já foram investidos nesse conceito 65 bilhões de euros”.

“Temos mais de 20 estratégias de Especializações Inteligentes regionais na Europa”, acrescentou Foray. As Estratégias de Pesquisa e Inovação para Especialização Inteligente (em inglês, Research and Innovation Strategies for Smart Especialization – RIS3) é um método que vem sendo utilizado na União Europeia, há mais de uma década, para fortalecer as regiões e desenvolver setores específicos da atividade econômica mediante a introdução de inovações.

O método valoriza as vantagens competitivas e o potencial inovador específico das regiões, estimulando o investimento privado e o envolvimento de atores centrais da sociedade, permitindo, assim, o direcionamento adequado das políticas públicas e dos investimentos públicos em prioridades corretamente identificadas.

“No domínio da pesquisa e desenvolvimento, as regiões precisam focar recursos e esforços em poucas áreas e tecnologias, ao invés de procederem com financiamentos dispersos ou sem foco. A questão é: onde focar? A escolha importa. O fundamento das Especializações Inteligentes não é priorizar estruturas, mas sim processos de transformação”, finalizou o professor.

Lançamento de nova iniciativa – O evento marcou o lançamento de várias ações a serem realizadas pelo projeto “Oportunidades e desafios à aplicação do enfoque de especializações inteligentes (RIS3) ao contexto regional do Brasil”, apoiado pelos Diálogos Setoriais para a introdução das Especializações Inteligentes no Brasil. No âmbito do projeto, serão promovidos eventos com a participação de especialistas na área, colaborações entre pesquisadores brasileiros e europeus e discussões sobre políticas públicas.

“Nesse sentido, vamos discutir perspectivas de modelos regionais para inovação e possibilidades de customização do método de especializações inteligentes, desenvolvendo mecanismos e procedimentos com o envolvimento dos atores da quádrupla hélice: academia, governo, iniciativa privada e sociedade civil organizada. Uma das propostas do projeto é a publicação de um guia de especializações inteligentes voltado para o contexto brasileiro”, explicou o professor Paulo Egler, do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT).

Sob o apoio do Programa dos Diálogos Setoriais UE-Brasil, estão envolvidas no projeto três instituições brasileiras: o Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), o Ministério da Integração Nacional e o IBICT, bem como o Joint Research Centre de Sevilha, por parte da União Europeia. A participação de várias instituições na ação é um dos pontos fortes do projeto, como defendeu Paulo Pintaga, da Coordenação-Geral de Monitoramento e Avaliação de Políticas Regionais, do Ministério da Integração Nacional: “Esse acordo entre as instituições envolvidas é um marco. Nós sempre buscamos parcerias, desenvolver parcerias com várias instituições. Não teríamos conseguido o sucesso da ação se não tivéssemos nos articulado com o IBICT e o CGEE”.


Brasília e Recife na liderança: Além da presença do professor Dominique Foray, o evento contou com palestras de vários especialistas na temática. Entre os palestrantes estiveram Javier Gomez, do Joint Research Centre, da União Europeia, com as experiências e as lições aprendidas das Especializações Inteligentes na Europa; o professor Hugo Pinto da Universidade de Coimbra e a Secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação de Pernambuco, Lúcia Melo, que detalharam a experiência com as Especializações Inteligentes em Pernambuco, no âmbito do Projeto RIS3-PE; e os professores Paulo Egler e Neantro Rivano, com o projeto Brasília 2060, do IBICT, que também utiliza o método no DF.

Com os projetos RIS3-PE e Brasília 2060, a Área Metropolitana de Brasília (AMB) e o estado de Pernambuco marcam a liderança nacional no uso do conceito de Especializações Inteligentes. Presente ao evento, o deputado federal Izalci Lucas, presidente da Frente Parlamentar de Ciência, Tecnologia, Pesquisa e Inovação, destacou a importância da temática para o Distrito Federal.

“Nós estamos há algum tempo buscando alternativas para o DF, que foi criado para ser uma cidade administrativa, mas que teve muitas alterações desde a sua criação, inclusive em relação à autonomia política. Essa autonomia veio de uma forma que faz do DF ser diferente de outros estados. Somos a terceira cidade do País, com mais de três milhões de habitantes e com quase 350 mil desempregados, em uma cidade sem desenvolvimento econômico. Só temos uma saída, que é a do desenvolvimento econômico, mas compatibilizando com as nossas vocações. As Especializações Inteligentes são fundamentais para pensarmos o futuro da cidade”, explicou o deputado.

O workshop foi uma realização conjunta entre o CGEE, o Ministério da Integração Nacional e o IBICT. Foram apoiadores do evento o CNPq, o Programa dos Diálogos Setoriais, o Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, o Ministério das Relações Exteriores, o Governo Federal e a União Europeia (DG REGIO e Delbra).

 

Patrícia Osandón

Projeto Brasília 2060

Créditos da imagem: Patrícia Osandón

Data da Notícia: 20/11/2017 17:00