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Especialistas discutem os Desafios e Perspectivas da Inclusão Digital na Sociedade da Informação

O III workshop “Desafios e Perspectivas da Inclusão Digital na Sociedade da Informação: Elementos para uma Estratégia Abrangente” aconteceu na Biblioteca Nacional de Brasília (BNB), nos dias 14 e 15 de dezembro de 2009. Durante a abertura do evento, o diretor do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), Emir Suaiden, ressaltou a importância dos repositórios digitais para a preservação da memória e do patrimônio bibliográfico documental brasileiro. Segundo ele, o Projeto de Lei (PL 1120), cujo relator é o Deputado Federal Ariosto Holanda (PSB/CE), presente à mesa de abertura do evento, prevê que as instituições de ensino superior e unidades de pesquisa devam publicar sua produção na internet. Ou seja, as instituições precisam criar um "repositório institucional" (banco de dados) com trabalhos de conclusão de mestrado, doutorado e pós-doutorado de alunos e professores, assim como resultados de pesquisas financiadas com recursos públicos.

“Os repositórios digitais permitem criar bibliotecas digitais e periódicos eletrônicos. Com o Projeto de Lei, todas as universidades, centros de extensão e pesquisas terão a sua memória científica e tecnológica preservadas. O IBICT criou nos últimos três anos 700 periódicos eletrônicos. Os editores estão deixando as revistas em papel e partindo para a solução eletrônica. Para se ter uma idéia, uma revista em papel que recebe 10 mil consultas recebe 300 mil consultas eletronicamente. Ou seja, é um novo mundo”, ressaltou Suaiden.

Emir Suaiden disse ainda que o IBICT está trabalhando junto com o deputado Ariosto Holanda em um projeto de Banco de Soluções que permitirá alimentar as pessoas carentes e marginalizadas com um processo de acesso, interpretação e validação das informações.

“O desafio maior é do Rogério Santanna, aqui presente. No IBICT tenho que pensar em informação, já ele tem que pensar em toda a complexidade da sociedade da informação que passa desde a banda larga, acesso gratuito e pago, telecentros, infocentros, lanhouses, entre outras coisas. Tenho acompanhado a duplicidade de ações de diversos organismos. O Brasil não tem condições e recursos para cada ministério fazer sua política de inclusão, isso não conduz a nada. Só eleva o custo Brasil. Temos que pensar em educação, governo eletrônico, comércio eletrônico, uma série de coisas para viabilizar um Brasil potente e valioso. Me sinto feliz de estar ao lado destes pares e sinto que em cada pessoa se tem a vocação do patriotismo e a de melhorar as condições do nosso país. Isso é fundamental para o desenvolvimento brasileiro”, enfatizou.

Rogério Santanna, secretário de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, disse que o governo está trabalhando com um plano nacional de banda larga que, segundo ele, tem a ver diretamente com a questão da inclusão digital no país. Ele explicou que a inclusão digital depende de quatro variáveis, sendo a primeira delas a renda; a segunda, a educação, pois quanto mais alta a renda, mais incluído é o cidadão, e quanto mais educado, mais incluído; a terceira, a idade, os mais jovens são mais incluídos que os mais velhos; e por último, a localização, o endereço onde a pessoa mora.

Santanna defendeu a democratização do acesso no país como forma de incluir cada vez mais pessoas. “É preciso reduzir a barreira de entrada para a banda larga no Brasil. Hoje, se observamos esse mercado, vamos ver que em julho deste ano, quando fiz uma verificação junto à Anatel, nós tínhamos 1.467 licenças para provedores de serviços multimídia que querem fornecer acesso à banda larga no país. E essa licença é comparativamente barata em comparação a todas as outras licenças. Custa R$ 9mil para obter uma licença nacional. E apesar de haver muitos provedores, a banda larga tem sido uma grande barreira no Brasil, sendo que ela está localizada em 300 cidades brasileiras. Então, é necessário interferir nesse processo, porque tendo tantas licenças e a licença sendo tão barata, o processo não se estabelece em todo o país, questionou”.

Segundo ele, o país possui mais de 31 mil kilômetros de fibras óticas pagas pelo governo federal, já instaladas e capazes de serem operadas imediatamente nas redes de distribuição de energia elétrica e, no entanto, essas fibras estão ociosas, depreciando-se há mais de oito anos, podendo ser utilizadas com este ativo para que os pequenos provedores levem o acesso e, portanto, a inclusão digital a um preço mais baixo no país. “Os estudos do Comitê Gestor mostraram que se a banda larga fosse oferecida a R$ 10, 80% da população estaria disposta a comprar o produto. Se ela custasse entre R$ 30 e R$ 35, cerca de 50% adquiririam o produto. Hoje, apenas 5,2% das pessoas no país têm acesso à banda larga”, salientou.

O subsecretário da Coordenação das Unidades de Pesquisa do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), José Edil Benedito, compondo a mesa de abertura do workshop, disse que “é sempre um prazer renovado vir aos eventos promovidos pelo IBICT. Nesta segunda fase da administração do professor Emir Suaiden, que brilhantemente completou o período de quatro anos à frente do instituto, e nós temos certeza que sua nova gestão será um sucesso. Ele foi o primeiro colocado no Comitê de Busca e já é uma tradição do nosso sistema na indicação de diretores. Na semana passada foi publicada uma portaria tornando obrigatório o Comitê de Busca no MCT para as nossas unidades de pesquisa e também para os institutos e centros, além da Comissão de Energia Nuclear”, enfatizou.

Segundo José Edil, a temática do workshop diz respeito diretamente a duas instituições “que nós temos dentro da família de institutos do MCT, no caso o IBICT e a RNP. Essas duas instituições de mãos dadas certamente têm muito a contribuir com este que é um desafio da nossa sociedade, a inclusão digital”.

Para Izalci Lucas, secretário de Ciência e Tecnologia do Distrito Federal, a inclusão digital é um grande desafio, que já vem sendo trabalhado com projetos como o da escola integrada, o acesso à internet nas escolas da rede pública, com o projeto DF Digital, centros comunitários de Inclusão Digital e uma série de novas ideias e parcerias. “Estamos trabalhando para a universalização e inclusão digital dos mais humildes e carentes”, disse.

A diretora presidente da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal, Maria Amélia Teles, afirmou que a “o futuro acontece agora, aqui, e que não há ciência onde existe o mediatismo e a improvisação”. Segundo ela, é preciso continuar o apoio à pesquisa para se alcançar uma ciência forte. “A Fap estará apoiando a biotecnologia e a nanotecnologia. Precisamos entrar com mais força, superar e apoiar o meio ambiente e a agricultura, a produção industrial, a ciência, áreas transversais, entre outros pontos”, ressaltou.

Durante a 1ª sessão do workshop: A Inclusão Digital Através das Tecnologias da web 2.0, Marisa Bräscher, professora doutora do Departamento de Ciência da Informação e Documentação da UnB, disse que “no contexto da web 2.0 das redes sociais a responsabilidade de ensinar e repassar o aprendizado do uso da internet se torna um pouco mais complexa”. “Nós não devemos repassar aos usuários apenas o saber usar, mas, sobretudo, o saber participar, pois a web 2.0 é um espaço bastante democrático de manifestações que abre uma perspectiva para o cidadão se manifestar não só do ponto de vista textual, mas da produção de diversos tipos de mídia”, salientou.

Já Sérgio Amadeu, sociólogo e pesquisador da área de Comunicação e Tecnologia no Lato Sensu da Faculdade Cásper Líbero, que também participou do debate da 1ª sessão, o termo web 2.0 é um jargão criado em 2004, que teve uma evolução de 1.0 para 2.0 e 3.0. “A web 1.0 tinha um grau de interatividade pequeno e limitado. Aparece, então, a websemântica e a necessidade de “ensinar” a máquina o sentido dos objetos que estão colocados na web. Aparecem ainda as redes sociais, um mundo no qual copiar não pode”, contou, lembrando que a cultura digital tem duas características básicas: as práticas recombinantes e a reconfiguração permanente dos usuários.

“O digital permite a reconfiguração rápida. Permite as pessoas se comunicarem, fundirem os seus conteúdos e expandirem a inteligência coletiva”, salientou.

O consultor do IBICT, Pedro Demo, afirmou, por sua vez, que a Inclusão Digital mais promissora é aquela feita pela aprendizagem. Ele destacou como pontos principais da aprendizagem, primeiramente, a figura do professor, seguido da figura do aluno e, por terceiro, da matéria pedagogia que, conforme ele, prepara para o aprender. “A grande maioria dos professores da rede pública de ensino no país não tem traquejo com computador e nem com a internet. É um problema sério e um grande atraso”, ressaltou.

Durante a 2ª sessão: Integração de Ações de Governo para Inclusão Digital, Nelson Simões, diretor geral da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), disse que a infraestrutura da banda larga no país é algo caro e que precisa ter abrangência nacional, sendo, portanto, algo não tão simples de ser implementado em um território como o Brasil. “Cuidado com as comparações com a Korea, Japão e outras nações. Nós somos o Brasil, temos nossas características e vantagens. A banda larga tem uma implementação complexa, pois envolve investimentos, setor privado, governo, marco regulatório e tudo isso tem que concorrer para que ela esteja disponível”, salientou.

Segundo Simões, as iniciativas em várias áreas dependem cada vez mais fortemente de infraestruturas adequadas, compartilhadas, disponíveis, eficientes, e com uma linguagem cada vez mais aprimorada, que “certamente irá levar a utilização de conteúdos audiovisuais predominantes de uso”. Marcelo Viana, superintedente de Tecnologia da Informação da Secretaria de Educação do Estado do Rio de Janeiro, Geraldo Nunes, coordenador geral de apoio à pós-graduação e diretor substituto da Diretoria de Avaliação da Capes, Elias Suaiden, doutor em Ciência da Informação e Cecília Leite, coordenadora geral de Pesquisa e Novos Produtos do IBICT, participaram do painel.

Durante o evento foram apresentados os resultados das pesquisas sobre Centros Públicos de Acesso Pago no Brasil; Centros Públicos de Acesso Gratuito no Brasil; e o Censo Maranhão de Inclusão Digital.

Participaram pesquisadores, gestores de governo e da iniciativa privada, além de convidados estrangeiros, como Mercedes Sebastian, professora da Faculdade de Humanidades, Comunicação e Documentação da Universidade Carlos III de Madrid, Mariana Balboni, coordenadora do Observatório para a Sociedade da Informação na América Latina e Caribe – Cepal, e Christopher Coward, da Washington University.

O intuito do workshop foi contribuir com a análise de resultados de pesquisas realizadas pelo IBICT e outras instituições em âmbito nacional e internacional, além de consolidar a linha de pesquisa do IBICT sobre temas relevantes de Inclusão Digital em parcerias com outras instituições. Também pelo sucesso alcançado, o encontro foi considerado um dos grandes marcos na área de Inclusão Digital no país, em virtude de ter conseguido reunir nomes relevantes. Alguns desdobramentos já estão repercutindo e tomando forma, como, por exemplo, uma reunião realizada ontem (16), com o professor Pedro Demo, Márcia Voelcker e técnicos do IBICT, na qual foi discutida a formação de parcerias para o desenvolvimento de aplicativos voltados para a aprendizagem informacional e digital. Outras ações também estão em curso, como, por exemplo, a possibilidade de uma visita do professor Emir Suaiden e do deputado Ariosto Holanda ao secretário Rogério Santanna, com vistas à construção do Banco de Soluções em Inclusão Digital, concebido pela Coordenação Geral de Pesquisa e Novos Produtos do IBICT.

 

Núcleo de Comunicação do IBICT

Fonte: http://www.ibict.br/noticia.php?id=676

Créditos da imagem: Comunicação Social

Data da Notícia: 17/08/2010 10:05