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Correio Braziliense: Programa de Indío

INCLUSÃO
Programa de índio

Projeto que levava computadores para comunidades rurais agora se depara com um novo desafio: inserir a informática e a internet nas aldeias do extremo norte do país

Da Redação

Termina hoje, no Setor de Autarquias Sul, na capital federal, a primeira etapa do programa que pretende colocar a tecnologia a serviço de comunidades indígenas, lá no extremo norte do Amazonas, perto da fronteira com a Colômbia e a Venezuela. A ação, chamada de Corredor Digital, que faz parte do programa de inclusão social do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict) e recebeu apoio do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), está treinando índios de três aldeias, separadas entre si por 1.600km, que serão multiplicadores e levarão novidades sobre a informática. A intenção é que eles tenham acesso às informações da internet e também que possam criar e conteúdo sobre sua cultura e disponibilizá-lo para a sociedade.

Concentrados em frente a monitores e peças de computador durante 15 dias no prédio do Ibict, no Setor de Autarquias Sul, 10 índios de três aldeias da etnia tukano, aprenderam a trabalhar com o Windows e a suíte de escritório Microsoft Office, mas não é só isso. Na grande maioria dos casos eles tiveram o primeiro contato com o computador.

“É a primeira experiência de inclusão digital com comunidades indígenas. E resolvemos fazer com que fosse mais do que simplesmente levar computadores para lá. Queremos que funcione como uma ferramenta de fortalecimento da cultura e da língua dos tukanos”, ressalta Orlene Lúcia Carvalho, professora do Departamento de Lingüística da UnB. Ela trabalha no projeto com Cecília Leite e Dora Galesso, ambas do Ibict.

Os monitores, scanners e outros equipamentos que ilustram o material trazem imagens de elementos das tribos e paisagens do local onde vivem. E os conceitos da informática também passam por analogia com procedimentos do dia-a-dia das tribos. Para explicar o que são ferramentas, foto de uma enxada, e para falar do conceito de tecnologia, a feitura da bebida alcoólica que eles consomem por lá, a kaxiri. E como a intenção do programa é dar autonomia para as comunidades, os planos são preparar os programas para receberem as palavras da língua tukano.

A personalização dos programas e equipamentos que os índios acabam de conhecer continua. Eles se reúnem para definir que nomes darão para as partes do computador. Mouse já virou Bi’í, que na língua deles quer dizer rato. “Vocês brancos são muito fracos nisso. Não entendo como o brasileiro não tem a sensibilidade de perceber que isso também é uma forma de dominação”, disse Sebastião Duarte, que vive na tribo de Taracuá, uma das três da etnia tukano que faz o curso. E na linha da preservação dos próprios valores, o que mais atrai os índios é poder manter a própria cultura viva, armazendo na língua deles seus mitos e lendas.

Terminada a fase de treinamento em Brasília, técnicos e professores viajarão às aldeias, localizadas numa região do Amazonas conhecida como cabeça de cachorro, por causa do desenho que o mapa de lá forma. Lá, farão o acompanhamento e a manutenção dos equipamentos e do uso dos computadores por um ano. “A intenção de um acompanhamento de tão perto é para vermos os acertos e erros do processo. E isso é importante porque há o interesse de continuar com essa ação em outros lugares e com outras etnias”, afirma Dora Galesso, diretora da ação Corredor Digital. Nas aldeias os computadores acessarão a internet por satélite e funcionarão com placas de energia solar, até que o programa do governo Luz Para Todos chegue por lá.

“A nossa intenção é levar a autonomia que a informática traz para eles para que eles, e outras sociedades culturais diferentes da nossa, como os quilombolas, possam manter sua cultura e também disponibilizá-la para nós”, disse Dora reforçando a intenção do projeto. E como lembrou Orlene Lúcia Carvalho e afirmou o índio Oséas Ramos Marinho, que também faz o curso no Ibict, da aldeia de Pari-cachoeira, a inclusão digital dos índios é uma forma de poder lutar com os brancos usando a arma que eles usam. “Muitos jovens saem de suas casas para ir atrás de estudos e oportunidades de emprego. Agora, essa oportunidade estará na própria aldeia”, comemora Oséas.

Assessoria de Comunicação Social

Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict)
Fonte: Site CorreioWeb - www.correioweb.com.br

Data da Notícia: 19/12/2006 16:11