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Sala de Imprensa

22/09/2014

Confira a agenda científica de 20 a 26 de setembro
http://www.brasil.gov.br/ciencia-e-tecnologia/2014/09/confira-a-agenda-cientifica-de-20-a-26-de-setembro

Ibict realiza curso sobre preservação digital
O Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibicti/MCTI) realizou nesta quinta-feira (18) o primeiro Curso Técnico de Preservação Digital da Rede Brasileira de Serviços de Preservação Digital – Cariniana
http://www.mcti.gov.br/noticias/-/asset_publisher/IqV53KMvD5rY/content/ibict-realiza-curso-sobre-preservacao-digital

Propostas no Senado incentivam uso de livros digitais
O Senado Federal analisa uma série de projetos de lei que tratam do incentivo ao uso de livros digitais,
http://www.agenciacti.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=6253:propostas-no-senado-incentivam-uso-de-livros-digitais&catid=1:latest-news

Universidades brasileiras precisam de mais inserção internacional, avaliou secretário do MCTI
As universidades brasileiras devem ampliar suas parcerias internacionais, para atrair mais pesquisadores e conhecimento. A temática foi debatida por especialistas durante a abertura do Seminário Brasil-Alemanha – Estratégias de Parcerias para Internacionalização das Universidades, em Brasília.
http://www.agenciacti.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=6255:universidades-brasileiras-precisam-de-mais-insercao-internacional-avaliou-secretario-do-mcti&catid=1:latest-news

ITA recebe países para debater tecnologia na área de defesa
Evento científico começa na terça-feira (23) e vai reunir pesquisadores, professores e alunos de mais de dez países
http://www.brasil.gov.br/defesa-e-seguranca/2014/09/ita-recebe-paises-para-debater-tecnologia-na-area-de-defesa

Programa Start-Up Brasil oferece 50 bolsas de pesquisa
Cada empresa selecionada receberá R$ 200 mil em bolsas, além de aporte financeiro. Inscrições até 24 de outubro
http://www.brasil.gov.br/ciencia-e-tecnologia/2014/09/programa-start-up-brasil-oferece-50-bolsas-de-pesquisa

Fomento à indústria de software enriquece inovação no Brasil, apontou secretário do MCTI
Ações de fomento à indústria de software no Brasil são necessárias para enriquecer o ambiente de inovação no País. A avaliação é do secretário de Política de Informática do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Virgílio Almeida, feita durante o seminário “Centros Globais de Pesquisa e Desenvolvimento em Tecnologia da Informação e Comunicação”
http://www.agenciacti.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=6252:fomento-a-industria-de-software-enriquece-inovacao-no-brasil-apontou-secretario-do-mcti&catid=1:latest-news

Projetos conjuntos entre MCTI e JRC são avaliados por suas equipes
Uma videoconferência foi realizada entre representantes do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (Seped/MCTI) e a equipe do Centro Comum de Pesquisa Europeia (JRC, na sigla em inglês) para avaliar os projetos conjuntos em andamento.
http://www.agenciacti.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=6251:projetos-conjuntos-entre-mcti-e-jrc-sao-avaliados-por-suas-equipes&catid=1:latest-news

Lideranças acadêmicas pedem mais recursos para ciência e tecnologia
A carência e a descontinuidade de recursos, além da burocracia excessiva para o desenvolvimento de pesquisas são apontadas por especialistas como os maiores entraves e desafios a serem enfrentados pelo setor de ciência, tecnologia e inovação (CT&I)
http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=liderancas-academicas-pedem-mais-recursos-ciencia-tecnologia&id=010175140919#.VCAAM5RdUhM

Presidente da ABIPTI fala à Agência Brasil
Em entrevista à Agência Brasil, o presidente da Associação Brasileira das Instituições de Pesquisa Tecnológica e Inovação (ABIPTI), Claudio Violato, fez um raio-x do cenário da ciência, tecnologia e inovação (CT&I) do País. 
http://portal.abipti.org.br/presidente-da-abipti-fala-a-agencia-brasil/

Projetos de pesquisa sobre inclusão serão estimulados
Todas as áreas do conhecimento podem concorrer
http://www.jornaldaciencia.org.br/edicoes/?url=http://jcnoticias.jornaldaciencia.org.br/

Projetos incentivam adoção de livros eletrônicos
Proposta aprovada no Senado aguarda votação na Câmara
http://www.jornaldaciencia.org.br/edicoes/?url=http://jcnoticias.jornaldaciencia.org.br/



O ESTADO DE S. PAULO - SP - EMPREGOS

Ser pesquisador no Brasil


MARCO STELMAR
BATENDO PONTO
mstelmar@br.ibm.com

Ser pesquisador significa entender as “coisas” que existem, como elas funcionam, de onde vêm, como se relacionam e do que são feitas. A curiosidade é fundamental em seu perfil pessoal.

A partir deste conhecimento, engenheiros podem criar “coisas” novas, otimizá-las, refazê-las e controlá-las. Os objetos de estudo podem ser pessoas, moléculas, sistemas computacionais, redes sociais, estrelas ou até o próprio planeta Terra. Os perfis de um pesquisador e de um engenheiro são complementares e, geralmente, uma pessoa exerce as duas funções. O físico, matemático, astrônomo e filósofo italiano Gali leu Galilei, por exemplo, dificilmente aperfeiçoaria os telescópios se não tivesse conhecimento profundo de física e de suas observações astronômicas.

Normalmente, a formação de um pesquisado é de quatro anos no bacharelado, dois anos no mestrado strictosensu e quatro anos no doutorado. O grau de doutor (ou do inglês, Doctor of Philosophy - Ph.D) é a última etapa da formação de um pesquisador e é onde ele precisa mostrar que consegue contribuir para a ciência. É também fundamental que durante sua formação ele consiga atingir um nível de inglês muito alto, tanto na fala quanto na escrita.

Sim, dez anos é muito tempo estudando. No entanto, quando destacamos esse período, estamos falamos apenas no tempo de formação, pois na verdade durante toda a sua carreira o pesquisador vai estudar muito e, por esta razão, a profissão requer muita paixão pelo que se faz.

Durante o período de formação, o estudante viverá de bolsas de estudo e, eventualmente, daráaulas. Essa é aparte mais difícil durante esse período. Pelo menos para mim, que tive o dinheiro foi sempre muito contado. O que me motivava ir para frente era a esperança de que eu teria um emprego no qual eu levantaria de manhã e diria: “Estou fazendo algo que me faz feliz e que sempre estarei aprendendo coisas novas”.

No Brasil, até pouco tempo atrás, terminar o doutorado significava ficar na academia para s e tornar professor e trabalhar na formação de pessoas. Em alguns casos, outro caminho era ir para centros de pesquisa do governo. Nos últimos anos, estamos vivenciando um crescimento de centros de pesquisa e desenvolvimento no Brasil, onde o fator pesquisa realmente está presente. Segundo o Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), mais de 41 mil pesquisadores atuam no País na área empresarial. Portanto, existem várias opções hoje no País para pesquisadores, incluindo universidades, centros de pesquisa no setor público e privado, negócios e até consultorias.

Outra questão que está gerando novas oportunidades na área é que, aos poucos, as parcerias entre universidades e empresas que investem em pesquisa e desenvolvimento são cada vez mais comuns. Isso é fundamental para que pesquisas científicas possam ser convertidas em produtos e serviços que gerem benefícios para os diversos setores da sociedade. Por exemplo, muito do que vemos hoje na área de computação em nuvem e big data é resultado de diversas dessas parcerias.

Naturalmente, existe espaço para melhorias quando falamos em fazer pesquisa no Brasil. Há pesquisas científicas que não trazem retorno em curto prazo. Para isso, empresas precisam estar dispostas a arriscar e investir mais, pois com isso elas poderão ter vantagem competitiva em relação aos concorrentes que estão mais focados em resolver apenas problemas em pouco tempo.

Em termos de produção científica, nos últimos anos, a pressão para se produzir artigos aumentou muito, mas o desafio agora é conduzir trabalhos que tenham alto impacto acadêmico e que resolvam problemas da sociedade.

Ser pesquisador não é fácil, exige dedicação, muito estudo, senso crítico altamente aguçado e uma forte capacidade de balancear vida profissional e pessoal. No entanto, quando vemos o resultado do que fazemos depois de muito esforço, é algo realmente gratificante.

No Brasil, ainda temos muito a evoluir. Precisamos disseminar e valorizar mais a importância do que os pesquisadores fazem.

PH.D EM CIÊNCIA DA COMPUTAÇÃO, PESQUISADOR E GERENTE DE PESQUISA DA ÁREA DE COMPUTAÇÃO EM NUVEM DO LABORATÓRIO DE PESQUISAS DA IBM BRASIL



VALOR ECONÔMICO - SP - ESPECIAL

Campo de testes


Por Ediane Tiago | Para o Valor, de São Paulo

"Uma oportunidade valiosa para desenvolver tecnologia." A frase do americano Kenneth G. Herd, que lidera o centro de pesquisa da GE no Brasil, resume a escolha do país para receber a quinta unidade global destinada à inovação. "Aqui encontramos o ambiente ideal. Boas universidades, mão de obra qualificada, atuação das agências governamentais de fomento à inovação, estabilidade econômica e um forte mercado consumidor", enumera. A combinação positiva resultou na atração de R$ 500 milhões em investimentos, a serem realizados até 2019 nas instalações da GE no Parque Tecnológico da Ilha do Fundão, no Rio.

Até o fim do ano, a GE inaugura o prédio, que está em fase no final das obras. Mas o time de pesquisa já atua na ilha, ocupando estrutura da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A equipe conta com 110 funcionários - 90 deles pesquisadores. O centro terá capacidade para abrigar 400 profissionais. Todos estarão conectados à rede global de inovação da GE e vão interagir com as outras quatros unidades globais, instaladas na Alemanha, China, Estados Unidos e Índia. "As inovações geradas aqui fazem parte dos projetos globais", destaca Herd.

O Brasil vive um momento especial na construção e consolidação de uma rede capaz de gerar conhecimento e inovações globais. Além da GE, nomes como IBM, Intel, Microsoft, Cargill e LOreal anunciaram a instalação de centros de pesquisa e desenvolvimento (P&D) nos últimos anos. Empresas como Basf, Bayer, Siemens e Whirlpool possuem estrutura de pesquisa instalada há mais tempo e já colocaram o Brasil no mapa de suas matrizes, com seus centros liderando pesquisas internacionais.

As brasileiras Braskem, Natura, Petrobras, Embraer e Embrapa também são referências globais de inovação. "Na última década, percebemos esforço para ampliar as atividades de P&D em diversas cadeias produtivas", destaca Gerson Valença Pinto, presidente da Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (Anpei) e vice-presidente de inovação da Natura.

Os avanços aconteceram principalmente na última década, com a intensificação do discurso da inovação tecnológica como estratégia para crescimento econômico sustentável. Em 2004, a aprovação da lei da inovação foi seguida pelo reforço nas estruturas de fomento, com linhas mais parrudas para a Finep e atuação mais efetiva do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O avanço do Produto Interno Bruto (PIB) foi alavanca importante para os dispêndios em P&D. De acordo com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), os investimentos em ciência e tecnologia, em relação ao PIB, passaram de 1,31% para 1,74%. A percentagem significa um salto de R$ 25,4 bilhões (2004) para R$ 76,4 bilhões (2012).

Entre as evoluções mais importantes, destaca Pinto, está a mudança na estratégia dos centros globais instalados por aqui. As multinacionais começaram a criar tecnologia no Brasil, em vez de apenas adaptar produtos para o mercado local.

Em efeito dominó, as empresas passaram a exercer pressão ainda maior pela competitividade das companhias nacionais. "A inovação não reconhece barreiras geográficas. Inserir o Brasil e os nossos pesquisadores nas redes globais é de extrema importância", afirma Pinto.

Para Carlos Arruda, coordenador do núcleo de inovação da Fundação Dom Cabral (FDC), a competência dos recursos humanos disponíveis no país também é fator preponderante para a atração de centros internacionais. "Temos massa crítica para realizar pesquisa", afirma.

Entre os setores que se destacam ele cita o de petróleo e gás - e a fronteira tecnológica do pré-sal -, o agronegócio e o aeronáutico. "Outra vantagem é a fácil adaptação do brasileiro a novas culturas, o que nos permite trabalhar junto com pesquisadores em todo o mundo."

Apesar do otimismo e da conquista de centros importantes, o Brasil não está isolado na disputa pelos investimentos e precisa ser mais consistente, na opinião de Arruda. "Ainda estamos em 64ª posição no ranking mundial de inovação", comenta. Entre os desafios, destacados pelos entrevistados desta edição especial do Valor, estão preparar os profissionais dedicados à inovação para atuar em cenário global, aprimorar as parcerias entre empresas e universidades e melhorar os instrumentos de fomento para ampliar o capital destinado aos projetos de inovação radical.

"É preciso ainda reduzir a burocracia para o acesso às linhas de financiamento e resolver a questão das patentes. A demora para o registro no Brasil - entre oito e 12 anos - é um problema sério", destaca Luis Cassinelli, diretor de inovação da Braskem.

Outro ponto de atenção está na análise mais cuidadosa de cenários para proteger os projetos no longo prazo. Arruda cita como exemplo a cadeia de negócios de óleo e gás. Movido pelo otimismo em relação ao pré-sal, o segmento atraiu investimentos nacionais e internacionais em pesquisa e desenvolvimento, mas não considerou problemas importantes no longo prazo. "O aumento da produção de gás com tecnologia de craqueamento pelos Estados Unidos, a crise que se instalou na Petrobras e as dificuldades da MMX na exploração afetaram os projetos. O setor está revendo as metas."

Na opinião dele, o pré-sal representa uma fronteira tecnológica importante e continuará recebendo investimentos em pesquisa e desenvolvimento. "Mas temos de utilizar mais inteligência nas análises para não comprometer a estratégia do setor", explica. Para Herd, da GE, entre as correções de rumo está o envolvimento efetivo de toda a cadeia produtiva. "O avanço depende de uma estratégia mais ampla de inovação. Atualmente o foco está na produção e exploração", considera.

Entre as cadeias produtivas com maior adensamento da inovação, está a de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC). A afirmação é de Virgílio Almeida, secretário de política de informática do MCTI.

De acordo com ele, a Lei da Informática consolidou-se como importante estratégia de fomento e auxiliou na criação de polos de excelência no Brasil como o Porto Digital, no Recife (PE), o TecnoPuc, em Porto Alegre, e o polo de Belo Horizonte, que atraiu o centro de pesquisa do Google. "Só nos últimos quatro anos, seis centros de grande importância foram anunciados. Os investimentos chegam a R$ 1 bilhão", destaca. A lista inclui Microsoft, SAP, EMS, Intel e as chinesas Baidu e Huawei.

Entre as principais moedas de troca do Brasil no segmento de TIC está um dos maiores mercados consumidores de serviços e produtos, o quarto no ranking global. Segundo a consultoria IDC, as compras de produtos e serviços de TIC devem movimentar US$ 175 bilhões no país em 2014. "O uso de TIC nas diversas cadeias produtivas é uma das bases para o avanço da inovação no país", afirma Almeida.

Conhecimento precisa ser descentralizado
Por Ediane Tiago | De São Paulo

Além de atrair mais centros de pesquisa e desenvolvimento, o Brasil enfrenta o desafio de descentralizar a produção de conhecimento. A maior parte da estrutura de pesquisa - de empresas nacionais e multinacionais - está concentrada no Sul e no Sudeste do país. A fixação de projetos ligados à inovação é fundamental para tornar a economia regional mais dinâmica e criar empregos qualificados e de maior renda. Bons exemplos são os polos instalados no Nordeste, como o Porto Digital, no Pernambuco, e o de Salvador, na Bahia. "Quando decidimos instalar um centro global de inovação em Camaçari (Região Metropolitana de Salvador), começamos do zero. Tínhamos uma página em branco", explica Rogelio Golfarb, vice-presidente de assuntos corporativos da Ford América do Sul.

A folha em branco significava falta de cultura automotiva, de massa crítica local para P&D no setor e problemas para conseguir mão de obra. "Mas iniciar algo novo também traz vantagens, porque nos dá uma visão diferenciada do processo de criação", diz Golfarb.

Na estruturação do centro baiano, a Ford utilizou a experiência e mão de obra das duas unidades de pesquisa que mantém em São Paulo (São Bernardo do Campo e Tatuí). Também conectou o projeto à rede global da companhia. "Quando há ligação entre as estruturas, a localização do centro perde boa parte de sua importância. É como nadar em um oceano desconhecido ao lado de uma boa embarcação de apoio."

A estratégia deu certo. Os pesquisadores que trabalham a partir de Camaçari lideram projetos globais, com destaque para o novo EcoSport, primeiro carro global desenhado no Brasil pela companhia. "O novo Ka é o próximo projeto de escala da equipe."

Entre as parcerias locais que garantiram o sucesso da implementação do centro da Ford está o Senai Cimatec, que se tornou importante unidade de pesquisa e desenvolvimento nacional. Em 2002, quando instalou a unidade baiana, o Senai pretendia resolver problemas técnicos no sistema de manufatura, privilegiando segmentos com importância na matriz econômica do Estado.

Em uma década, a unidade se tornou um dos principais centros de inovação do país, atuando ao lado de instituições como o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) na estruturação da Empresa Brasileira de Pequisa e Inovação Industrial (Embrapii).

Ao todo, o Senai Cimatec soma 31 projetos pela Embrapii, entre os concluídos e os em andamento. Só essa carteira soma mais de R$ 100 milhões em iniciativas de inovação. "A unidade se especializou em cadeias produtivas como a do plástico e a automotiva. Também tornou-se referência na formação de mão de obra qualificada e prestação de serviços técnicos para diferentes segmentos da indústria", destaca Luis Alberto Brêda, gerente de núcleo estratégico do Senai na Bahia.

Segundo ele, dos 800 colaboradores do Senai Cimatec, cerca de 200 estão envolvidos diretamente em projetos de pesquisa e desenvolvimento e no suporte tecnológico. Entre os diferenciais, ele destaca a capacidade do centro em atuar com competências que podem ser aplicadas em diferentes cadeias produtivas. "A logística, por exemplo, é necessária em qualquer segmento. A multidisciplinaridade nos garante atuação mais eficiente na região, enquanto a especialização nos permite atuar em projetos nacionais e internacionais", comenta.



VALOR ECONÔMICO - SP - ESPECIAL


Empresas globais ocupam papel de destaque em P&D


Por Ediane Tiago | Para o Valor, de São Paulo
As multinacionais exercem atuação marcante no ecossistema de inovação. Além dos investimentos realizados em centros de pesquisa e desenvolvimento (P&D), essas companhias fomentam práticas como a inovação aberta e contribuem para inserir o Brasil nas redes globais de pesquisa. Estudo realizado pela Fundação Dom Cabral (FDC) identificou que as estratégias de criação das multinacionais costumam envolver todos os elos das cadeias de valor (fornecedores, clientes, universidades, institutos de ciência e tecnologia, os concorrentes e a sociedade).

Para obter este alcance, os projetos englobam capacitação de pessoas do ensino básico à pós-graduação, investimentos em pequenas e médias empresas - por meio de fundos corporativos -, adoção de tecnologias e sistemas em diversas áreas do conhecimento e articulação com entidades governamentais. "As unidades de pesquisa estão conectadas com as matrizes e outras subsidiárias, enriquecendo o sistema brasileiro com experiências internacionais de desenvolvimento de produtos e serviços", explica Carlos Arruda, coordenador do núcleo de inovação da FDC.

Ronald Dauscha, diretor de estratégia e inovação da Siemens, explica que é importante conhecer o mercado onde se atua e desenvolver soluções para ele e a partir dele. A Siemens é um exemplo das que apostam na geração local de conhecimento. Mantém no Brasil oito centros de pesquisa e desenvolvimento.

No mundo todo são 160 unidades dedicadas à inovação. Entre as estruturas, destaca o trabalho do laboratório de Curitiba que, em conjunto com a Pontifícia Universidade Católica do Paraná, estuda sistemas inteligentes (os smart grids) para o segmento de energia. "O consumo de energia elétrica é crescente no Brasil. Temos mercado e entidades de pesquisa capacitadas para desenvolver projetos em conjunto", comenta.

A carteira de pesquisa da Siemens é composta por projetos para aplicação específica no mercado brasileiro e também por soluções com potencial de vendas global. Para fortalecer a atuação inovadora, a empresa alemã mantém os olhos abertos nas empresas novatas, ou startups. "Selecionamos projetos e realizamos eventos para conhecê-los. A proximidade com empreendedores de base tecnológica fortalece a estratégia de inovação", diz Dauscha.

Na operação brasileira da Whirlpool, 600 profissionais estão diretamente envolvidos com a pesquisa e desenvolvimento de produtos. A estrutura é composta de quatro centros de P&D, que juntos somam 23 laboratórios. Entre os centros, a empresa destaca o de excelência em refrigeração, que produz inovações para a base global da empresa. "O Brasil é protagonista na divisão de pesquisa. Lideramos projetos internacionais", destaca Guilherme Lima, diretor de relações institucionais da Whirlpool Latin America. Segundo ele, as novidades respondem por 24% das vendas da empresa no país. A meta é lançar 180 produtos só neste ano. Entre as estratégias seguidas no Brasil, Lima destaca a parceria com as universidades e planos de carreira atrativos para os pesquisadores. "A atuação em uma multinacional traz muitas chances de crescimento."

Para ilustrar o protagonismo do Brasil no P&D da Whirlpool, Lima cita o lançamento do B.blend - máquina de bebidas da Brastemp. "O produto chegou para mudar o mercado, é disruptivo", afirma. A inovação está em integrar dez categorias de bebidas em uma única máquina, que produz desde água gaseificada, a cafés e refrigerantes. "A operação é feita por cápsulas e não há gosto de uma bebida interferindo na outra", explica. Com o eletrodoméstico, o consumidor pode preparar a bebida que quiser em casa. "A equipe brasileira que desenvolveu o B.blend trabalhou com a cadeia de fornecimento de cápsulas na Europa, mostrando que estamos preparados para liderar projetos de cooperação internacional entre empresas", conta Lima.

A Basf também aposta no potencial do Brasil e tem a seu favor a presença centenária no país. Por aqui estão os três laboratórios globais que a empresa mantém na América do Sul. Não podia ser diferente, pelo tamanho e intensidade tecnológica do agronegócio. Ao todo, 370 profissionais - em 14 divisões de negócios - atuam no P&D. Entre as novidades, Rony Sato, gerente de inovação da Basf, destaca o recém-inaugurado Centro de Aplicações de Nutrição e Saúde. A unidade, instalada em Jacareí (SP), recebeu mais de um milhão de euros em aportes e expandirá a rede de inovação global da Basf para as indústrias alimentícia e farmacêutica na América do Sul. "A proximidade com os fabricantes de alimentos é essencial para as estratégias de inovação. Temos no Brasil, ambiente perfeito", comenta Sato.

Entre as parcerias para inovação, Sato destaca os acordos com a Embrapa, a Universidade Estadual de Maringá (PR) e com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A atuação da equipe de pesquisa é intensa também na transferência de tecnologia para o campo. Além dos centros de P&D, a empresa mantém 30 laboratórios de desenvolvimento de aplicação e suporte. "Atuamos junto ao cliente para garantir o uso correto das inovações", diz Sato.

Tecnologia busca promover agricultura sustentável
Por Ediane Tiago | De São Paulo

Com demanda certa para produtos capazes de vencer as agruras do clima tropical, o agronegócio atrai investimentos de empresas como a Bayer, que estabelecem e fortalecem equipes locais de pesquisa e desenvolvimento (P&D). "O cultivo exige uso constante de tecnologia. Além disso, o país tem potencial para avançar nos estudos sobre produção sustentável de alimentos", destaca Bernard Jacqmin, diretor de desenvolvimento agronômico da Bayer para o Brasil e América Latina. Segundo informa, mais de 200 colaboradores da subsidiária brasileira estão envolvidos com projetos de inovação.

A empresa mantém em Paulínia (SP) o seu principal centro de P&D na América Latina. Em área de cerca de 90 hectares estuda e desenvolve tecnologia para ser aplicada nos campos brasileiros. Atualmente pesquisa mais de 150 ativos químicos e biológicos no Brasil. "Os projetos são nas áreas de química, controle biológico e biotecnologia", explica Jacqmin.

O centro foi adquirido pela Bayer CropScience - divisão de agronegócio da companhia - em 2002, quando incorporou os ativos da Aventis. A estrutura foi criada pela Solvay, na década de 60. Na época representou a primeira área para pesquisa e desenvolvimento de defensivos agrícolas no Brasil.

Entre as parcerias de maior importância, está a firmada com a Embrapa para estudar sistemas integrados de agropecuária. Entre os desafios do Brasil, Jacqmin destaca o aumento da produção de alimentos aliado à preservação ambiental. Os estudos para aproveitamento da área agrícola levam em conta o rodízio de culturas, o que permite, por exemplo, a produção intercalada de grãos e gado de corte. "As chances de ampliar a produtividade da terra são enormes." Com a Embrapa, a Bayer estuda técnica de agricultura de precisão.

O controle de pragas exige produtos e serviços voltados à prevenção. A tecnologia protege a terra e o meio ambiente e melhora a qualidade dos alimentos. Mas depende do comportamento de quem lida com o cultivo. Ele explica que a agricultura sustentável reduz o número de aplicações e faz uso cada vez maior de agentes naturais. Para oferecer soluções mais eficazes, a saída é se aproximar o produtor rural da comunidade científica, o que a companhia faz por meio da Academia Bayer de Inovação. A academia promove um fórum de aprimoramento técnico, científico e agrícola. Reúne profissionais interessados no desenvolvimento de técnicas e produtos para agricultura e dá apoio na transferência de tecnologia.



VALOR ECONÔMICO - SP - ESPECIAL

Brasileiros têm experiência global


Por Paulo Vasconcellos | Para o Valor, do Rio
Empresas brasileiras e multinacionais inovadoras apostam um montante significativo em centros de pesquisa no país para atrair novos negócios. A receita que aponta o diferencial local como um trunfo dos projetos e produtos é seguida pela Totvs, que desenvolve soluções de gestão empresarial, mas vale também para a Alstom, líder global em infraestrutura ferroviária e geração e transmissão de energia. Serve a quem produz rolamentos para automóveis, como a alemã Schaeffler, uma das líderes mundiais em componentes automotivos, industriais e aeroespaciais, do mesmo jeito que impulsiona as perspectivas de crescimento de uma provedora de tecnologia de comunicações como a multinacional americana Cisco.

Nos últimos cinco anos, a Totvs investiu R$ 832 milhões em P&D, tornando-se uma das maiores investidoras do país no quesito. A empresa conta com nove centros de pesquisa e o laboratório Totvs Labs na Califórnia, nos EUA. Neles trabalham 2 mil pessoas diretamente envolvidas com a inovação. Cada centro desenvolve trabalhos segmentados.

O centro de pesquisa de Assis (SP), por exemplo, está voltado para a agroindústria e seus desafios de disponibilidade de telecomunicações e de uso da tecnologia no campo. Oitenta agrônomos, engenheiros sanitaristas, analistas de sistemas e engenheiros de software combinam esforços para levar tecnologia aos implementos agrícolas ou monitorar os equipamentos remotamente. No centro de pesquisa de Joinville (SC), 500 pessoas se dedicam ao segmento de manufatura no desenvolvimento de tecnologias para cálculo e planejamento de produção.

Nos últimos cinco anos, a Totvs investiu R$ 832 milhões em P&D, tornando-se uma das maiores do país

No Totvs Labs, a proposta é antecipar o encontro de tecnologias que estão sendo desenvolvidas no Vale do Silício. O trabalho envolve quinze cientistas americanos, asiáticos e brasileiros. "Acreditamos que o valor da inovação para um cliente tem a ver com o conhecimento setorial e as tecnologias que podemos fornecer para transformar os negócios", diz Gilsinei Hansen, vice-presidente de sistemas e segmentos da Totvs.

"Os novos negócios são sempre focados em inovações oriundas dos centros de P&D", diz Cláudio Castro, diretor-executivo e P&D corporate da Schaeffler. O centro de pesquisa de Sorocaba (SP) atende toda a operação técnica na América do Sul. A unidade emprega 180 pesquisadores. Em todo o mundo são mais de 6 mil pessoas em 40 centros. O resultado pode ser medido pelo volume de 2.100 depósitos de patentes em 2013.

O centro de pesquisa do Brasil ficou em terceiro na cadeia de inovação da empresa, atrás da Alemanha e dos EUA, com 116 depósitos de invenção. Uma das novidades desenvolvidas pelo centro do Brasil foi o sistema de rolamento de embreagens criado para clientes locais com novos conceitos de lubrificação, de redução dos atritos e de falhas com vedações especiais que eliminaram problemas de contaminação externa.

A Alstom, com vendas de € 20 bilhões, em 2013, inaugurou este ano o Centro Global de Tecnologia Hidrelétrica em Taubaté (SP), com investimento de € 8 milhões, de olho nos projetos de grandes usinas hidrelétricas. O objetivo da empresa é desenvolver turbinas com tecnologia Kaplan, para hidrelétricas de baixa queda, entre 15 e 60 metros, que usam menos água.

O Brasil responde por 45% do futuro mercado Kaplan mundial para novas centrais elétricas. No país, a empresa já forneceu mais de cem turbinas nos últimos dez anos. "O centro vai permitir que tenhamos tecnologia adaptada, que a empresa não fique para trás tecnologicamente e que, além disso, estreite a relação com a academia", diz Ricardo Vasconcellos, gerente do Centro Global de Tecnologia da Alstom.

"Se queremos crescer além do crescimento orgânico precisamos ter acesso a oportunidades e integrar nossas tecnologias com parceiros globais e locais, que produzem as soluções que os clientes precisam", afirma Nina Lualdi, diretora-sênior de estratégia e planejamento da Cisco, que investiu parte do pacote de R$ 1 bilhão previstos para os próximos quatro anos no Brasil no Centro de Inovação localizado no Rio de Janeiro.

Múlti de softwares nasceu em incubadora no Paraná
Por Paulo Vasconcellos | Do Rio

A Bematech, uma multinacional brasileira de softwares e serviços de meio de pagamentos presente nos Estados Unidos, Europa, Ásia e América Latina, nasceu na Incubadora Tecnológica de Curitiba, vinculada ao Instituto de Tecnologia do Paraná, e até hoje se alicerça na pesquisa para manter a liderança do segmento no Brasil.

Seis centros de pesquisa no país e dois no exterior buscam respostas cada vez mais adequadas às necessidades do mercado. Parcerias estratégicas com quatro institutos de pesquisa - o Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (C.E.S.A.R), de Pernambuco, a Universidade Federal do Ceará, os Institutos Lactec e o Centro Internacional de Tecnologia de Software (CITS), do Paraná - ajudam no desafio permanente da busca por soluções inovadoras. Cinco por cento da receita da empresa, que no ano passado chegou a R$ 365 milhões, são investidos em inovação.

"O mercado brasileiro, mesmo com os problemas de baixo crescimento da economia, cada vez atrai mais a concorrência e exige um foco permanente na inovação tecnológica, fundamental para se manter na liderança do mercado", diz Eros Jantsch, vice-presidente da Bematech.

A empresa, criada em 1990 pelos engenheiros eletrônicos Marcel Malczewski e Wolney Betiol, cresceu rápido na primeira década com a adesão de seis novos sócios. Logo começou a atuar no mercado internacional, hoje responsável por 10% da receita. A expansão dos negócios ganhou um novo impulso em 2006. Em 2009 já era líder no Brasil como provedora de soluções para automação comercial.

No centro tecnológico da Bematech, em Curitiba, o foco são as soluções fiscais. A empresa investe no programa da nota fiscal eletrônica. Em São Paulo ficam os pesquisadores que desenvolvem softwares para o varejo, inclusive os de mobilidade do atendimento. O desenvolvimento de programas de computação para o mercado de hotéis é o foco do centro de pesquisa do Rio de Janeiro. Em Belo Horizonte se concentram os esforços para atender o setor de transporte rodoviário. O mercado de food service é atendido pelo centro de pesquisa de Jundiaí (SP). Em Fortaleza o foco é o varejo. Nos Estados Unidos, onde o segmento de alimentação rápida é muito forte, são desenvolvidos programas para atender pedidos do cardápio padronizado, como a máquina que registra na cozinha a solicitação feita no balcão de atendimento. Já na Ásia, os pesquisadores buscam a integração de ferramentas desenvolvidas no Brasil.



VALOR ECONÔMICO - SP - ESPECIAL

Universidade aprende a trabalhar com empresas



Por Laura Knapp | Para o Valor, de São Paulo

As pesquisas feitas em conjunto por universidades e empresas têm crescido bastante em algumas áreas. Grandes instituições têm se empenhado em aumentar as parcerias, criando agências para fomentar os acordos, incubadoras para abrigar empresas, além de parques tecnológicos.

Setores como engenharia, química ou tecnologia da informação têm mais tradição em trabalhar com pesquisadores de empresas, e outros núcleos às vezes precisam de estímulos para aumentar os acordos. Rogério de Andrade Filgueiras, coordenador adjunto da Agência de Inovação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) lembra o caso da área de biotecnologia, onde havia certa restrição por parte de acadêmicos. Segundo ele, era quase proibido pensar em fazer acordos, por ferir, segundo alguns, a natureza da ciência pura. Eles tinham receio de perder a liberdade acadêmica. "Também fazemos papel de psicólogo", brinca, para explicar o trabalho para fomentar as pesquisas com o setor privado.

Mas as coisas estão mudando. A Universidade de São Paulo há alguns anos vem se organizando a fim de promover e equacionar questões relativas ao trabalho com as empresas. Na opinião do pró-reitor de pesquisas José Eduardo Krieger, é preciso melhorar o quadro jurídico da instituição, adotar um novo olhar na contratação e processos e desburocratizar. "O processo é irreversível e a USP está preocupada em ter estratégia", afirma. "Temos muito espaço para evoluir."

No entanto, é preciso entender o que pode e principalmente o que não pode ser feito dentro de uma universidade. "As coisas nunca vão ser iguais ao ambiente externo", lembra. Mas o país precisa gerar riquezas e as universidades podem ajudar. "Em parte a universidade tem que se organizar. Mas não estamos mal na fita, não."

Uma das iniciativas é formar grupos multidisciplinares de pesquisa, transformar solistas, como diz Krieger, em uma orquestra. Em três anos, a USP investiu R$ 250 milhões para formar Núcleos de Apoio à Pesquisa (NAP). Hoje já há 140 deles. São temáticos, mas interdisciplinares.

Quatro entre eles já se transformaram em Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão, ou Cepid, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). "É o sonho de consumo de todo pesquisador", diz Krieger.

A USP também acaba de inaugurar o Parque Tecnológico do Jaguaré, em conjunto com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas e pelo governo do Estado. Vai lidar com tecnologia da informação, saúde, nanotecnologia, fármacos e pesquisas de acessibilidade para pessoas com deficiências.

"A PUCRS tem uma visão estratégica muito clara no sentido de incorporar o empreendedorismo e a inovação como eixos estratégicos", diz o pró-reitor de pesquisa, inovação e desenvolvimento, Jorge Audy, da Pontifícia Universidade católica do Rio Grande do Sul.

Somente no Parque Científico e Tecnológico (Tecnopuc) atuam mais de 110 empresas e seis mil pessoas. Além do parque, a universidade conta com outros institutos ligados à pesquisa, como incubadora, centro de inovação, escritório de transferência de tecnologia e um laboratório de criatividade. Audy acredita que é necessário um "marco legal mais adequado e estável para a área de inovação".

Como as outras instituições, a Universidade Federal de Pernambuco aposta na pesquisa com empresas. Entre suas parceiras estão Motorola, Apple e a estatais Chesf e Celpe (de energia elétrica). Segundo Francisco Ramos, pró-reitor de pesquisa e pós-graduação, os laboratórios ajudam muito na formação dos alunos e nas pesquisas. Para ele, muitas vezes os acordos entre empresas e universidades têm que ser induzidos.

No Parque Científico e Tecnológico da Universidade Estadual de Campinas atuam empresas como Lenovo, Samsung, IBM, Banco do Brasil e MC1. No ano passado, a universidade fechou 22 contratos de pesquisa e desenvolvimento com o setor privado. "A Unicamp tem histórico de colaboração com empresas", afirma Milton Mori, diretor-executivo da agência de Inovação Inova, que auxilia as parceiras privadas a encontrar os pesquisadores mais adequados para suas necessidades.

Apesar dos avanços, ainda existem conflitos relativos às diferenças inerentes entre universidades e empresas. "As empresas têm interesse em resultados de curto prazo, enquanto a universidade visa desafios de pesquisa na fronteira do conhecimentos, que muitas vezes não terão aplicação imediata", diz.

No entanto, cresce o interesse por parte dos docentes em trabalhar com empresas, em poder usar os recursos de que elas disponibilizam e em abrir uma porta para que os alunos comecem a interagir com a indústria. "Desses casos de interação temos excelentes resultados com benefícios mútuos." Para facilitar a prospecção de acordos, a Unicamp tem sete líderes de inovação, professores que mantém contato constante com a agência Inova.



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Falta escala para dar peso a projetos



Por Laura Knapp | De São Paulo

É costume dizer que a colaboração entre empresas e universidades ainda é muito incipiente. Mas os números contam outra história. Pelo menos no que diz respeito às três universidades estaduais do São Paulo, USP, Unicamp e Unesp. A participação dos recursos privados de empresas no total dos investimentos feitos nas pesquisas realizadas pelas instituições chega a cerca de 7% na Unicamp, 6% na Unesp e 5% na USP. Não é pouco. A Unesp estaria em 11ª posição, a Unesp em 13ª e a USP, em 17ª.

O levantamento foi feito por Carlos Henrique Brito Cruz, diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), ex-presidente da mesma agência e ex-reitor da Unicamp. "Não é certo dizer que no Brasil as universidades têm pouca relação com empresas", afirma. O Brasil já tem interatividade bem competitiva no âmbito internacional."

Para fazer o levantamento, Brito somou os investimentos feitos por Fapesp, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) à parcela que as próprias universidades investem em pesquisa.

O valor total investido pelas três universidades é comparável ao montante de recursos destinados pela instituições americanas. O que explicaria o desnível em termos de produção, segundo Brito, é que no Brasil não existem 500 universidades na lista. "A dimensão do empreendimento acadêmico é muito menor e a heterogeneidade, muito grande." O primeiro desafio do Brasil, portanto, seria ter mais universidades com boa qualidade de pesquisa.



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Incentivos fiscais são insuficientes


Por Jacilio Saraiva | Para o Valor, de São Paulo
É insuficiente a quantidade de benefícios fiscais concedidos pelo poder público para a criação de centros de pesquisa e desenvolvimento (P&D). Quem garante é Roberto Nicolsky, diretor geral da Sociedade Brasileira Pró-Inovação Tecnológica (Protec) e do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento de Fármacos e Produtos Farmacêuticos (IPD-Farma). "Nos EUA, o governo cede às companhias recursos da ordem de 0,5% do PIB e a Coreia do Sul chegou a aplicar cerca de 0,8% diretamente nas empresas." No Brasil, Estados como São Paulo e Rio de Janeiro oferecem para as organizações que implantam unidades de pesquisa atrativos como desapropriação de terrenos e diferimento no Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) na compra de equipamentos.

Segundo Nicolsky, o papel do estímulo fiscal é reduzir o risco da empresa que investe em inovação. "Países com políticas de desenvolvimento oferecem incentivos que podem ser um subsídio, a redução do imposto de renda ou de tributos agregados à mercadoria. Esse apoio não cobre todo o custo do investimento, mas será um fator desinibidor para a organização assumir sua parcela de risco na operação."

No Brasil, as primeiras iniciativas na área começaram, com ênfase, a partir de 2004, quando foram criados a Lei de Inovação e o benefício da subvenção econômica. No ano seguinte, foi aprovada a Lei do Bem (Lei 11.196/05), que oferece dedução de 20,4% até 34% no Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e redução de 50% no IPI, na compra de equipamentos de P&D.

De acordo com relatório mais recente do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o número de empresas participantes no programa dos incentivos fiscais da Lei do Bem passou de 767, em 2011, para 787, em 2012. No período, o pequeno crescimento do volume de companhias listadas acompanhou ainda uma redução no valor dos investimentos aplicados em P&D - houve uma queda de 22%, alcançando a soma de R$ 5,3 bilhões, em 2012.

"A Lei do Bem cobre empresas de grande e médio porte que aplicam em P&D, mas elas precisam ter regime de apuração de lucro real. Não podem funcionar com lucro presumido ou enquadradas no Simples", diz Nicolsky. "Assim, as pequenas e médias companhias, que talvez precisassem mais que as maiores, não se beneficiam."

Para o especialista, não é preciso criar novas leis, mas "fazer mais" com as regras existentes. "A Lei do Bem poderia se estender para grupos de lucro presumido com faturamento acima de R$ 16 milhões. Isso estimularia as organizações a entrar no processo de inovação."

Em São Paulo, o governo do Estado destinou R$ 120 milhões, entre 2004 e 2013, para a instalação de centros de P&D, por meio de convênios assinados com municípios e parques tecnológicos, segundo Marcos Cintra, subsecretário de Ciência, Tecnologia e Inovação. "Os incentivos ocorrem por meio da desapropriação de áreas, repasse de recursos para a contratação de estudos de viabilidade técnica, econômica e financeira, construção e aquisição de equipamentos", diz.

Em 2008, foi instituído o Pró-Parques, um conjunto de incentivos para os complexos tecnológicos instalados em São Paulo. Assim, empresas que criarem laboratórios nas unidades cadastradas no Estado podem utilizar o crédito acumulado do ICMS no pagamento de bens, inclusive energia elétrica. Pelo menos 24 parques e centros de inovação receberam recursos, em cidades como Campinas, São Carlos e Barretos.

Segundo Cintra, estão em negociação oito novos parques tecnológicos e 30 centros de inovação. "O Estado está elaborando um plano diretor para conhecer a situação do setor, rever marcos regulatórios e traçar metas para os próximos 20 anos."

No Rio de Janeiro, pelo menos dois decretos estaduais, de 2011 e 2014, criaram mecanismos para apoiar centros de pesquisa. O primeiro (43.117) concede diferimento de ICMS para importações e aquisições internas de máquinas utilizadas em atividades de pesquisa e a isenção do imposto nas compras de insumos. Firmado este ano, o decreto 44.854 prevê a criação de uma linha de crédito para o setor, da Agência Estadual de Fomento (AgeRio).

"Dos 21 centros de pesquisa internacionais que vieram para o Brasil nos últimos anos, 18 deles escolheram o Rio de Janeiro", diz Júlio Bueno, secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviços. O Parque Tecnológico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o maior do Estado, concentra 12 empresas e sete laboratórios e centros de pesquisa, de grupos como Usiminas e Schlumberger. Recebeu R$ 1 bilhão em investimentos, entre 2003 e 2004. Do total, 29% vieram do fomento público e mais da metade se refere a terrenos cedidos pela universidade.



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Finep faz acordo para traduzir política chinesa



Por Suzana Liskauskas | Para o Valor, do Rio

Ciente de que o crescimento da China afeta diretamente o PIB do Brasil e que há uma integração comercial real e crescente entre os dois países, a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) assinou, em agosto, um acordo de cooperação técnica com o Instituto de Estudos Brasil-China (Ibrach). O principal objetivo é mapear as políticas públicas de inovação da China e verificar como essas experiências podem ser inseridas no cenário nacional. O acordo ajudará ainda a Finep a entender como agem os chineses em termos de inovação, além de identificar em que momento a China concorre com o Brasil e onde estão as oportunidades de cooperação entre empresas e universidades dos dois países.

Rodrigo Fonseca, diretor de desenvolvimento científico e tecnológico da entidade, diz que a importância desse acordo é colocar a Finep no centro do debate sobre o futuro do mundo, já que a China é o principal parceiro comercial do Brasil, além de ser o país que ganha mais relevância internacional na atualidade. Na prática, o primeiro desdobramento do acordo foi a definição de uma agenda de pesquisas e encontros relevantes para a Finep.

"A China é o maior exportador de semicondutores do mundo. Mas é também o maior importador, e a preocupação deles com esse tema é enorme. Não conhecemos as políticas públicas dos chineses na área de semicondutores, e é fundamental entendê-las. A Finep já definiu como uma das prioridades nesse acordo mapear as políticas públicas da China de microeletrônica, tema de peso relevante na balança comercial dos dois países", detalha Fonseca.

O mapeamento das políticas públicas da China em inovação vai ajudar a Finep a priorizar investimentos em projetos desenvolvidos no Brasil para que o país tenha vantagem competitiva no cenário internacional. Fonseca observa que os chineses são seletivos e inteligentes na abertura do mercado deles, pois só incentivam a flexibilidade quando ela é capaz de beneficiar o país.

"Um acordo como esse pode mostrar para o Brasil como eles agem, como são as políticas da China e como se dão as escolhas dos chineses para proteger o país. Isso nos ajudará a qualificar a participação do Brasil na concorrência internacional", afirma Fonseca.

Para o diretor de desenvolvimento científico e tecnológico da Finep, é necessário qualificar o diálogo com China. Ele afirma que só o fato de os integrantes do Ibrach, que reúne pesquisadores, gestores, diplomatas e especialistas em relações internacionais, poderem traduzir o que acontece na China já valeria o acordo.

Organização sem fins lucrativos dedicada à formação, pesquisa e debate sobre as estratégias de desenvolvimento da China contemporânea, o Ibrach foi criado em 2011. O instituto tem ainda a missão de desvendar o papel da China na governança