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Sala de Imprensa

22/08/2014

Semana Nacional de Ciência e Tecnologia promove reunião com expositores no DF
Encontro ocorre no auditório da Fiocruz, na UnB. Objetivo é familiarizar expositores com temática deste ano: "Ciência e tecnologia para o desenvolvimento social"
http://www.brasil.gov.br/ciencia-e-tecnologia/2014/08/semana-nacional-de-ciencia-e-tecnologia-promove-reuniao-com-expositores-no-df

Seminário abordará sistema de inovação norte-americano
Encontro nesta sexta (22) em Brasília busca reunir reflexões que promovam vínculos entre ciência, tecnologia e sociedade
http://www.brasil.gov.br/ciencia-e-tecnologia/2014/08/seminario-abordara-sistema-de-inovacao-norte-americano

Funcap destinará R$ 1,2 milhão para pesquisadores apresentarem propostas científicas
O objetivo da chamada pública é atrair profissionais com proficiência técnica e científica, e promover a produção de conhecimento. Os interessados tem até o dia 29 de agosto para se inscreverem.
http://www.agenciacti.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=6091:funcap-destinara-r-12-milhao-para-pesquisadores-apresentarem-propostas-cientificas&catid=1:latest-news

Empresas de base tecnológica podem ter acesso a até R$ 3 milhões em edital da Faperj
Também podem participar do certame as empresas-júnior de base tecnológica, sediadas ou não em institutos de ciência e tecnologia (ICTs), e incubadoras de Economia Criativa. As inscrições estão abertas até o dia 18 de setembro deste ano.
http://www.agenciacti.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=6089:empresas-de-base-tecnologica-podem-ter-acesso-a-ate-r-3-milhoes-em-edital-da-faperj&catid=1:latest-news

Brasil e Portugal discutem ações em ciência e educação
O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Clelio Campolina Diniz, recebeu a visita do ministro da Educação e Ciência de Portugal, Nuno Crato.
http://www.brasil.gov.br/ciencia-e-tecnologia/2014/08/brasil-e-portugal-discutem-acoes-em-ciencia-e-educacao?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed:%20Rss-Notcias%20(RSS%20-%20Not%EDcias)

CNPq recebeu evento sobre Ciências Humanas e Sociais no Brasil
Aconteceu, nesta quarta-feira (20/8), o simpósio Ciências Humanas e Sociais nas Políticas de Ciência, Tecnologia e Inovação Contemporâneas. O evento é uma atividade do Fórum de Ciências Humanas, Ciências Sociais e Ciências Sociais Aplicadas e ocorreu na sede do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (MCTI/CNPq), em Brasília.
http://lattes.cnpq.br/

Dirigentes da FAPESP participam de audiência na Assembleia Legislativa
Na reunião, presidida pelo deputado Orlando Bolçone, Lafer detalhou, em seu pronunciamento, o papel do Poder Legislativo na criação e na implementação de instrumentos legais para criação da FAPESP e para o apoio à pesquisa científica e tecnológica .
http://agencia.fapesp.br/19662

ABC diploma novos membros filiados de São Paulo
A Academia Brasileira de Ciências (ABC) diplomou cinco novos membros afiliados da região de São Paulo, eleitos para o período de 2014 a 2018
http://www.sbpcnet.org.br/site/noticias/materias/detalhe.php?id=3242


VALOR ECONÔMICO - SP - ESPECIAL

Acordos ampliam intercâmbio para produção científica

Por Dauro Veras | Para o Valor, de Florianópolis
Os desafios de ampliar a projeção internacional e a qualidade da produção científica têm levado o Brasil a dar incentivo crescente à cooperação Sul-Sul, uma das prioridades estratégicas da política externa. Em paralelo às parcerias tradicionais com Estados Unidos e Europa, ganham força os acordos com centros de pesquisa asiáticos e africanos. China, Coreia do Sul e Índia despontam entre os países que, em anos recentes, firmaram acordos com o Brasil em diversos campos de conhecimento. A presença na África também vem crescendo, principalmente com à comunidade lusófona.

"Mudou o cenário da educação no país e está mudando também o da inovação", diz o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Clelio Campolina Diniz. Ele ressalta três grandes áreas de ponta em que o Brasil tem atuação destacada: a petrolífera, na tecnologia de exploração em águas profundas; a aeroespacial, na fabricação de aviões e satélites; e a agropecuária, em que a produtividade brasileira é reconhecida. Petrobras, Embraer e Embrapa são referências globais nesses segmentos. Diniz enfatiza a importância de atrelar a base científica à capacidade de produção e investir nos recursos humanos, diante do contexto de acirrada competição global.

"Entre 2000 e 2012, passamos de 5.300 doutores formados anualmente para 13.900 e a meta é titular 25 mil doutores em 2025", afirma. Uma das iniciativas de sucesso é o Programa Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCT), avalia o ministro. Entre seus resultados está vacina contra leishmaniose visceral em animais, lançada em 2008 por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Sua tecnologia foi transferida para o Laboratório Hertape Calier Saúde Animal, de capital brasileiro e espanhol, que estuda a distribuição na Europa. Outra proposta de pesquisa vai destinar R$ 641 milhões para o apoio a núcleos de excelência e está aberta até 8 de setembro.

A Índia tem desenvolvido intercâmbios científicos com o Brasil principalmente nos campos da Tecnologia da Informação (TI) e da pesquisa espacial. Também há acordos com França, Itália, Japão, Rússia, Suécia e Alemanha, mas o destaque é a China, considerada parceira estratégica global. Em 2013, Brasil e China firmaram um ambicioso Plano Decenal de Cooperação Espacial, que abre para os dois países a perspectiva de atuar como fornecedores no mercado global de imagens e dados captados por satélite. Um marco importante ocorrerá em 7 de dezembro, data prevista para lançamento, a partir do país asiático, do satélite de sensoriamento remoto CBERS-4, construído pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Faz parte do acordo com os chineses o lançamento, em 2016, de um satélite geoestacionário que vai aumentar a segurança das comunicações estratégicas brasileiras de governo e defesa. "A internet terá 30% da capacidade dedicada à inclusão digital na Amazônia", destaca o chefe da Assessoria de Cooperação Internacional da Agência Espacial Brasileira (AEB), José Monserrat Filho. O Brasil também firmou parceria com a Alemanha para aperfeiçoar um Veículo Lançador de Microssatélite (VLM) desenvolvido pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE).

Outra iniciativa recente de cooperação foi firmada com a Rússia: a Universidade de Santa Maria (RS) e o Instituto Técnico de Pernambuco irão abrigar uma estação de calibragem do sistema de navegação por satélite Glonass, alternativa ao americano GPS. Também com a Rússia o Brasil firmou um acordo na área petrolífera e outro na área de saúde. Este prevê parceria técnica entre o Instituto Butantan, a Empresa Federal Estatal Unitária e a Universidade de Pesquisa Científica de São Petersburgo para a produção de vacinas contra difteria, tétano, coqueluche e meningite.

A cooperação com o continente africano é uma das prioridades, principalmente em saúde e agricultura. Na área da pesquisa espacial, está em andamento o programa CBERS for Africa, que permitirá a recepção e distribuição gratuita de dados dos satélites sino-brasileiros por África do Sul, Angola, Botsuana, Lesoto, Moçambique, Suazilândia, Namíbia, Zâmbia e Zimbábue. No dia 17 de setembro, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação vai lançar a nova versão do ProÁfrica - Programa de Cooperação Temática em Matéria de Ciência e Tecnologia. Entre 2005 e 2010, a iniciativa financiou 190 projetos com R$ 9,6 milhões, em cinco editais do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).


VALOR ECONÔMICO - SP - POLÍTICA

Boas conexões

Por Ediane Tiago | Para o Valor, de São Paulo
Fortalecer as bases da inovação é estratégia que depende da criação de ambientes que privilegiem a transferência de conhecimento, a pesquisa e desenvolvimento e, acima de tudo, a colaboração. A velocidade da evolução tecnológica e a busca constante por mais competitividade demandam alianças firmes, alto grau de confiança entre os parceiros de um projeto e capacidade de gerir as entregas e os orçamentos. Ninguém inova sozinho. A figura do inventor isolado em seu laboratório está cada vez mais distante da realidade. "O potencial das parceiras entre empresas e universidades é imenso. Por isso, os acordos têm crescido", acredita John Biggs, diretor de pesquisa e desenvolvimento da Dow para a América Latina.

Além da proximidade com a academia, Biggs aponta que é necessário estabelecer redes para a inovação aberta, o que traz maior complexidade ao ecossistema, a partir da inclusão de fornecedores, clientes e outros agentes das cadeias de valor. E os envolvidos não estão presos a mercados isolados. A conectividade permite a colaboração global, derrubando as paredes dos laboratórios e também as fronteiras geográficas. "A colaboração reduz os custos das pesquisas e torna os projetos viáveis", aponta Biggs.

No Brasil, a Dow ampliou o laboratório de Jundiaí (SP) para fomentar a colaboração. A estrutura transformou-se em uma unidade da rede que inclui os centros de pesquisa de Freeport (USA), Horgen (Suíça) e Xangai (China) e incorporou a iniciativa Pack Studios - projeto para o desenvolvimento de aplicações voltadas ao mercado de embalagens flexíveis. A ideia é permitir que convertedores, fabricantes de máquinas e empresas de produtos finais tenham acesso a uma moderna estrutura para realizar testes práticos de aplicações relacionadas ao mercado de embalagens flexíveis.

Além da Jundiaí, a empresa mantém laboratórios de pesquisa em Mogi Mirim e Cravinhos, cidades do interior paulista. "Nossas equipes trabalham em parceria com institutos de pesquisa e universidades", explica. Ao todo, 400 pessoas trabalham na área de pesquisa e desenvolvimento da Dow no Brasil, metade delas dedicada à área de ciências do agronegócio. "Em inovação, temos de aproveitar o potencial regional para amplificar as pesquisas. No Brasil, enxergamos muitas oportunidades no campo da agricultura e da sustentabilidade", afirma. Para ele, sem acesso ao conhecimento produzido nas universidades, é impossível levar adiante os projetos corporativos de inovação.

Há nove anos morando no Brasil, Biggs compartilha a visão de que a relação entre as empresas e as universidades têm evoluído muito. Assim como outros especialistas, assume que ainda há um trabalho grande para definir a regulamentação para pesquisa e as negociações sobre propriedade intelectual. "Ainda muito complexas por aqui", ressalta. Também é preciso menos burocracia para acessar as linhas de fomento, como as da Finep.

Glauco Arbix, presidente da Finep, também destaca evolução no ecossistema, desde a promulgação da Lei da Inovação, em dezembro de 2004. "Hoje existe uma sintonia mais fina entre governo e iniciativa privada", diz. Vale lembrar que o Brasil-- assim como outros países - montou as bases para promoção da inovação sob a estratégia da tríplice hélice, que prevê a integração e a cooperação entre o governo, as empresas e a academia para o avanço dos projetos. "Em dez anos, conquistamos amadurecimento político e institucional. A sociedade brasileira entende que pode fazer ciência e as empresas sabem que podem utilizar o conhecimento produzido aqui para inovar", conta.

O salto nos dispêndios com atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação é um indicador da evolução. De acordo com dados da Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o volume de investimentos cresceu 201%, de R$ 25,4 bilhões (2004) para R$ 76,5 bilhões (2012) - 52,3% desse montante vêm de recursos públicos. "O diálogo com os empresários tem se intensificado, completando ações de fortalecimento da infraestrutura como a construção de polos de inovação, parques tecnológicos e institutos de pesquisa", diz Arbix.

A colaboração entre empresas também tem crescido, aponta a Pesquisa de Inovação Tecnológica (Pintec), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os resultados apurados mostram que 7.694 empresas implementaram inovações por meio de acordos de cooperação com outras corporações. Em 2005, o número foi de 2.776. Essa evolução demonstra, segundo Arbix, que o país está preparado para estabelecer redes mais eficientes de inovação e impulsionar o número de projetos. "Na academia, enxergo a evolução das universidades para hubs de conhecimento, uma vez que elas estão cada vez mais integradas à sociedade e entendem de forma mais ampla as demandas das cadeias produtivas", avalia.

Para o professor Milton Mori, diretor-executivo da Inova Unicamp, o Brasil ainda enfrenta o desafio de ampliar o interesse do empresariado na pesquisa e desenvolvimento. "É uma questão cultural. Ainda há um trabalho importante para incutir a inovação como estratégia de negócio", diz. A academia, acredita Mori, tem papel fundamental no fortalecimento do empreendedorismo - que abarca tanto a formação dos empresários como dos cientistas. "Mais do que financiar projetos, é preciso preparar profissionais para tocar negócios de base tecnológica e centros de pesquisa." Um número maior de empreendedores atrai maior interesse de investidores, ampliando a rede de parcerias para inovação.

Sergio Luiz Gargioni, presidente do Conselho Nacional das Fundações de Amparo à Pesquisa, adverte que é preciso combater a burocracia para melhorar as relações entre universidades e empresas no Brasil. "Ainda é mais fácil realizar pesquisa nos Estados Unidos e na Europa", afirma. Segundo ele, os impasses sobre a propriedade intelectual dos projetos afugentam as empresas e reduzem os negócios que podem ser fechados com os centros de pesquisa e institutos ligados às universidades. "É um dinheiro que deixa de entrar no caixa das instituições brasileiras por falta de clareza nas obrigações e direitos de cada um", comenta.

Programa estabelece metas mais claras de cooperação
Por Ediane Tiago | De São Paulo

O estímulo à parceria entre empresas e instituições de pesquisa ganha reforço legal com a instituição do Programa Nacional de Plataformas do Conhecimento (PNPC). O decreto, assinado pela presidente Dilma Rousseff em 25 de junho, deve resolver imbróglios na relação entre corporações e universidades. "Trata-se de regular a articulação entre as instituições e estabelecer metas claras para a cooperação no desenvolvimento científico", diz o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Clelio Campolina Diniz.

O plano promove a criação de redes de inovação ao prever a colaboração entre diferentes institutos, universidades e empresas, que se unirão para encontrar soluções inovadoras em diferentes segmentos econômicos. Os primeiros a receber suporte federal serão: agricultura, saúde, energia, aeronáutica, manufatura avançada, tecnologia da informação e Amazônia. "Quem integrar a rede, precisa gerar resultado", destaca Diniz. As redes, que formarão as plataformas, terão uma entidade gestora dos projetos e contratos. A meta do governo federal é implementar, gradualmente, 20 plataformas.

O decreto considera plataforma de conhecimento da empresa, o consórcio ou a entidade privada sem fins lucrativos capaz de reunir agentes públicos e privados que atuem em conjunto para a solução de problema específico ou no desenvolvimento de produto ou processo inovador de alto risco tecnológico. "Sempre com metas e prazos definidos", ressalta Diniz. Um dos objetivos é adensar os projetos de inovação nas cadeias produtivas, dando às empresas âncoras maior poder de coordenação.

O escopo do programa prevê medidas para atrair profissionais qualificados que atuam no exterior, instalar infraestrutura de classe mundial em instituições de pesquisa e criar regimes especiais para compra de equipamentos e insumos e para a contratação de pessoas. Ao todo, estima o Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa, devem ser investidos R$ 20 bilhões a partir de 2015 para a instalação das plataformas.

Segundo Diniz, o PNPC dá continuidade à estratégia de fomento e apoio à inovação em vigor. "É um complemento importante para elevar a capacidade de inovação." Entre 2013 e 2014, o governo federal reforço o crédito para projetos com o Programa Inova Empresa que, entre as iniciativas, criou a Emprapii, justamente para atuar na aproximação de empresas e institutos de pesquisa. "A Embrapii atua em outra frente. As empresas a procuram para resolver projetos delas, pontuais, sem a necessidade de colaboração", explica Diniz.

Além do PNPC, o ministro destaca a nova lei de inovação que deve ser aprovada ainda neste ano e resolver, entre outros entraves, a questão da participação de professores universitários nos projetos.

Atualmente, os docentes contratados de entidades de ensino superior pública não podem exercer funções de pesquisa em projetos conjuntos com empresas, por terem seus vínculos e horários destinados à universidade. As universidades que "flexibilizam" a atuação do pesquisador estão sujeitas a ações do Tribunal de Contas da União (TCU) - ou dos órgãos de controle estaduais - e podem ser penalizadas. O impedimento cria problemas na oferta de recursos humanos e gera incertezas no papel das instituições nos projetos de inovação. "A nova lei resolve a questão e cria mais espaço para a relação entre universidades e empresas", finaliza Diniz.